Corretoras veem um 2011 melhor para a Bolsa

Para especialistas, após um 1º trimestre mais fraco, a Bovespa deve chegar aos 80 mil pontos, valorizando-se em torno de 15%

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

20 de dezembro de 2010 | 16h45

Nem tão positiva como em 2009, nem de lado como em 2010. Em 2011, especialistas acreditam que a Bolsa de Valores de São Paulo deve ter valorização, principalmente a partir do segundo trimestre, quando a crise dos bancos da Irlanda estiver mais próxima de uma solução e a ajuda na Europa, mais encaminhada. "O cenário interno continua bom e o externo, incerto", resume o diretor de operações da iCash Investimentos, Salomão Santos.

"A questão da Irlanda e das dívidas dos bancos que devem começar a vencer agora continuam a ser uma pedra no sapato", diz o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi. Na opinião de especialistas, no primeiro trimestre o mercado ainda deve ter um desempenho fraco, já que os investidores devem seguir preocupados com a solução para o pagamento da dívida européia - sem acento. A evolução da inflação chinesa da China, lembra Galdi, também deve ser acompanhada de perto.

Essas preocupações vindas da Europa somadas ao mau desempenho da Petrobrás no ano (de mais de 27% até quando) fizeram com que em 2010 a Bolsa tivesse um desempenho pouco expressivo, sem altas ou quedas significantes. No mercado, isso é conhecido como "andar de lado".

Após os primeiros três meses, a bolsa tende a ter um desempenho melhor porque o cenário deve estar já estará mais positivo. A queda da taxa de desemprego dos EUA, por exemplo, é esperada para o segundo trimestre. Além disso, alguns eventos devem pesar positivamente na economia brasileira. Santos ressalta a grande chance que o país País tem de ter elevada a nota de rating pelas agências de classificação de risco.

Os investimentos em infra-estrutura também deverão aumentar, já visando à realização dos eventos esportivos que o Brasil deve sediar nos próximos anos. "Deverá haver um ajuste fiscal, mas o País também precisará investir se quiser ter a Copa do Mundo e as Olimpíadas", diz o economista da Souza Barros, Clodoir Vieira.

A projeção das casas aponta para uma valorização de cerca de 15%, para a pontuação de 80 mil pontos no fim de 2011. "Qualquer projeção entre 80 mil e 100 mil pontos já é lucro para o investidor acima do que deve render a renda fixa", diz Galdi.

Carteira de ações

Nesse cenário, empresas que tem os negócios voltados para a economia doméstica tendem a se destacar, já que o mercado brasileiro deve continuar forte. "Como em 2010, ainda preferimos setores ligados à economia brasileira. O ambiente é favorável por causa do nível de renda elevado e do baixo desemprego", afirma o analista-chefe da Bradesco Corretora, Carlos Ciretti.

O desempenho forte da economia deve se traduzir em lucros maiores das empresas. "A expectativa é que o lucro cresça em média 25%", calcula Ciretti. "As ações devem andar de acordo com os balanços", completa o consultor Mauro Calil.

Para conseguir ter um bom desempenho nas aplicações, a seleção criteriosa das companhias deve continuar sendo fundamental. Para todas as casas consultadas as ações ligadas ao setor de varejo são a aposta. A SLW é  a única corretora que chega a fazer uma carteira sugerida para  o ano (Veja ao lado).

As ações que pagam bons dividendos, como as de setores como energia e telecomunicações, também são indicadas. "Se o País está produzindo mais e consumindo mais, a demanda por energia cresce", diz Galdi. Ao investir em ações boas pagadoras de dividendos, a vantagem é que o investidor não ganha somente com a valorização, mas também com a bonificação que estas companhias pagam. 

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