Cresce número de bancos que emitem COEs e estoque alcança R$ 3,7 bilhões

De seis bancos em janeiro, 13 instituições agora oferecem os Certificados de Operações Estruturadas; investidor alia risco e proteção do capital

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 05h00

Na união das características da renda fixa com a variável, os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) caíram no gosto - e no bolso - dos investidores de alta renda. Desde a estreia, em janeiro, até novembro os COEs acumulam R$ 3,7 bilhões em estoque. Começou com seis bancos emissores, mas agora já são 13. Por ser um produto com ares de exclusividade e riscos maiores, muitos bancos não divulgam os COEs, mas os oferecem em agências exclusivas ou por meio da assessoria de investimentos à alta renda.

É possível comprar um COE por R$ 15 mil. Mas, dependendo da estratégia do título, há aplicações mínimas de R$ 50 mil ou R$ 100 mil. “Uma das belezas do COE é seu perfil customizado”, afirma o chefe de investimentos do Itaú Private Bank, Charles Ferraz.

Para 2015, a expectativa do mercado é pela adaptação do COE à instrução nº 400 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa mudança permitirá a oferta pública do produto, que poderá chegar ao mercado via corretoras. Hoje, só são vendidos a clientes do banco emissor. “Esperamos maior competição entre emissores. Esse produto envolve uma estratégia de diferenciação de portfólio”, diz a superintendente executiva da tesouraria do Santander, Claudia Getschko.

‘Suitability’. Em razão dos riscos envolvidos nos COEs, os bancos são obrigados a fazer uma detalhada análise de perfil e de apetite ao risco do investidor - ato que é chamado de suitability (adequação).

O investidor precisa estar ciente do que está contratando, já que é possível perder o valor aplicado parcial ou totalmente, dentro da equação: mais risco, maior chance de ganhos agressivos. São duas modalidades de COEs: com capital em risco (quando é possível perder dinheiro) e com capital garantido (quando há a garantia de retorno de pelo menos o valor aplicado, sem ganhos).

Até agora, o COE com capital protegido domina o mercado com 96% das emissões. E é tendência. “Principalmente agora, no início dos COEs, os bancos têm a estratégia de não dar margem para perdas, para que o investidor goste do produto e volte a comprar”, diz Fábio Zenaro, gerente executivo de produtos e negócios da Cetip, central de registro de ativos e títulos.

Do lado do banco, há a vantagem de o COE servir à captação de mais longo prazo - enquanto o CDB, por exemplo, tem liquidez diária. Para o investidor, o COE dá acesso a aplicações mais inacessíveis, como índices internacionais. E com a facilidade da tributação única pela tabela regressiva do Imposto de Renda (IR), a mesma da renda fixa.

Apostas. Ao criar um COE, o banco recomenda uma estratégia futura para o desempenho de um ativo ou indexador - como câmbio, inflação, ações ou índices. Por exemplo: após um ano, o dólar terá subido ou caído? A partir da análise do cenário econômico, as apostas sãos feitas.

“Os COEs só têm negociação de sucesso se os clientes tiverem a percepção de que o cenário definido pelo banco é plausível”, diz o superintendente executivo de tesouraria do Bradesco, Paulo Waack. O banco afirma que detém 20% desse mercado.

O Santander entrou no mercado de COEs em abril e está ampliando o portfólio com mais perfis de aplicação. São: dólar, juros, Ibovespa e recentemente, o índice S&P 500. Com algumas operações de curto prazo já vencidas, 90% delas tiveram rentabilidade bruta positiva, de 120% a 170% do CDI.

 

Para entender. Os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) foram criados no Brasil pela Lei 12.249, de 2010 - a mesma que dispõe sobre as Letras Financeiras -, mas só foram regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em setembro de 2013.

Após um prazo para a adaptação do mercado, as primeiras emissões foram em 6 de janeiro deste ano. Os COEs são inspirados nas notas estruturadas, populares na Europa e nos Estados Unidos.

Até agora, o produto só pode ser negociado com o cliente do banco emissor. O mercado espera, para 2015, a adaptação do COE para oferta pública, quando poderá ser intermediado por corretoras e atingir um público maior. Incide sobre o COE a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR). (Texto atualizado às 14h50 para correção de informações)

Mais conteúdo sobre:
coesinvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.