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Curva de juros aponta percepção sobre o futuro

É esperado que, se hoje eu aplicar meu dinheiro com vencimento para cinco ou dez anos, irei obter uma rentabilidade maior do que se aplicasse o valor no curto prazo

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 05h00

Adquiri uma casa em junho de 2008, declarada no Imposto de Renda por R$ 415 mil. Pretendo vendê-la – e, agora, ela está sendo avaliada em R$ 900 mil. Qual deve ser meu procedimento em relação ao IR?

O procedimento é acessar o portal da Receita Federal e buscar pelo Programa de Apuração de Ganhos de Capital (GCap). Esse programa vai calcular corretamente o Imposto de Renda devido com base na diferença entre o valor declarado e o valor de venda deste bem. O contribuinte deve preencher todos os dados do imóvel, a data de aquisição e da venda, valor da venda, se o imóvel foi comprado à vista ou a prazo, benfeitorias e reformas. O Fisco não permite a atualização do valor do imóvel na declaração. O programa calcula o Fator de Redução a ser considerado com base na data de aquisição. Para ganhos de capital até R$ 1 milhão, a alíquota é de 15%, atingindo a 30% para ganhos que ultrapassem os R$ 20 milhões. Por outro lado, são previstas isenções, como quando o valor de venda for abaixo de R$440 mil, o proprietário não possuir outro imóvel e não ter realizado transação similar há cinco anos. Embora o imposto deva ser pago até o fim do mês seguinte à venda do imóvel, o proprietário pode deixar de pagar caso use o valor da venda na compra de outro imóvel no prazo de até 180 dias após o negócio. Não há isenção quando o valor é usado para quitar um débito remanescente de compra a prazo ou a prestação de imóvel já possuído pelo contribuinte. Não há isenção, também, na venda ou aquisição de terreno. Embora essas sejam as regras, trata-se de um procedimento injusto porque, neste caso, somente considerando a inflação do período, o valor do imóvel deveria ser atualizado para perto de R$ 780 mil, o que resultaria em imposto bem mais baixo. Em resumo, pagamos imposto de renda até pela inflação.

O que é curva de juros? Por que os analistas estão falando disso?

Curva de juros a termo de mercado diz sobre o comportamento de juros em determinado mercado. Ou seja: mostra qual a percepção do mercado em relação ao futuro. É esperado que, se hoje eu aplicar meu dinheiro com vencimento para cinco ou dez anos, irei obter uma rentabilidade maior do que se aplicasse o valor no curto prazo. Dito de outra forma, a curva de rentabilidade mostra quanto mais juros os investidores irão receber por aplicar em um título do Tesouro de longo prazo em vez de aplicar em um de curto prazo, um ou dois anos. O termo curva de juros vem do fato de que em determinado dia, quando colocamos as taxas dos diferentes vencimentos num mesmo gráfico, a tendência é observar uma curva crescente. Pelo histórico da observação dessa curva, todas as vezes que há uma inversão e os juros de títulos com vencimentos mais longos ficam mais baixas, e se aproximam daqueles com vencimento mais curtos, há uma recessão. Numa economia saudável, os investidores esperam obter ganhos no futuro; assim, demandam taxas mais altas para as aplicações de longo prazo. Por outro lado, quando a perspectiva futura é de piora das condições econômicas, os investidores aceitam receber menores taxas para aplicações mais longas. Por isso algumas manchetes trazem que uma das expressões mais temidas pelo mercado seja “curva de juros invertida”. Os analistas do mercado norte-americano observam muito a diferença entre os rendimentos do Tesouro de dois anos e dez anos. Pelo histórico, uma inversão dessa parte da curva de juros precedeu cada uma das nove últimas recessões desde 1955.

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