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Destaque entre os fundos, planos de previdência privada batem recorde

Com a mudança de regra do INSS, investidores procuram a aposentadoria complementar; captação de janeiro a setembro foi a maior da história

Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2015 | 22h00

A mudança de regras na Previdência Social fez o tema aposentadoria ressurgir com força nos investimentos. Preocupados com o futuro incerto dos benefícios do INSS, mais brasileiros passaram a aplicar em planos de previdência privada. 

A captação de janeiro a setembro bateu recorde foram R$ 26,1 bilhões , crescimento de 45,8% ante o mesmo período do ano passado (R$17,9 bilhões). Enquanto a indústria de fundos amarga uma saída líquida (aplicações menos resgates) de R$ 30,2 bilhões no acumulado em 12 meses, a previdência privada tem captação de R$ 39,4 bilhões.

Nem mesmo a renda fixa, queridinha dos investidores em momentos de juro alto, tem tido um bom desempenho. Em 12 meses, até 27 de outubro, os saques superaram as aplicações em R$ 25,4 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Parte da explicação para o protagonismo da previdência está na crise fiscal e econômica. Para diminuir o rombo nas contas públicas, o governo alterou a regra da aposentadoria, que agora irá se basear na fórmula conhecida como regra 85/95. A solução é apenas paliativa e espera-se que o governo proponha a idade mínima em 60 e 65 anos, respectivamente, para mulheres e homens.

“Em momentos de crise, onde se comenta muito as dificuldades do Estado de manter os benefícios da previdência, aumenta a consciência do público de que pra ter uma aposentadoria digna, já que ele tem perspectiva de viver mais anos, será preciso ter mais condição financeira”, diz o vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Lúcio Flávio de Oliveira. Momentos como o que o Brasil passa ajudam o investidor a perceber que ele é o responsável por fazer uma poupança previdenciária, segundo Oliveira. 

A crise econômica também influenciou a tomada de decisão. “A inflação em alta corrói o poder de compra dos consumidores, o que deixa as pessoas preocupadas com o futuro. Elas entendem que é necessário ter uma aposentadoria complementar”, afirma a diretora da Anbima, Luciane Ribeiro.

Longo prazo. A própria natureza da previdência, um produto essencialmente voltado para o longo prazo, explica o motivo para o baixo número de saques. “O projeto que está vinculado à previdência é de longo prazo. Isso torna o produto menos suscetível a variações do mercado”, diz o superintendente comercial da Brasilprev, Guilherme Rossi.

A diretora de previdência e vida resgatável da Mapfre, Maristela Gorayb, afirma que o “timing” da previdência é diferente. “Se o investidor precisa sacar, opta por tirar de outros produtos primeiro, como os fundos de renda fixa voltados para curto e médio prazos”, diz. 

No curto prazo, inclusive, especialistas não consideram os planos de previdência a melhor opção. “Se você tem um objetivo de investir por menos de dez anos tem que fazer muita conta para ver se vale a pena”, diz Maristela. Benefícios como a alíquota regressiva de Imposto de Renda, que chega a 10% depois de dez anos de aplicação, só são colhidos no longo prazo.

Em relação à carteira de investimento, o brasileiro é conservador na previdência. “O investidor buscou menos risco, aplicou na previdência com renda fixa, reflexo do cenário de incerteza”, diz a diretora da Mapfre. Historicamente, este tipo de plano lidera o mercado. Com R$ 450 bilhões de patrimônio, a renda fixa representa 96,5% da previdência. O juro alto tem garantido um bom retorno. A previdência renda fixa acumula rentabilidade de 12,43% em 12 meses, até 27 de outubro, desempenho maior do que a inflação de outubro medida pelo IPCA-15 (9,77%).

Na Brasilprev, um dos destaques foram os planos voltados a menores de idade. Rossi afirma que tais planos têm participação significativa na captação por causa da periodicidade. Pais ou outros responsáveis investem todos os meses.

Desde o ano passado, cresceu 8% o valor do tíquete médio investido nos planos para menores. Em julho de 2014, era de R$ 131 contra R$ 141 do balanço de julho de 2015, o último divulgado pela Brasilprev. “No acumulado dos últimos cinco anos, a alta foi de 40,3%”, afirma a gerente da área de Inteligência e Gestão de Clientes da Brasilprev, Soraia Fidalgo.

Novos investimentos. O fornecimento do serviço de saúde é um grande gargalo no Brasil, em especial para a terceira idade. Tentando tornar o acesso à saúde mais fácil para aposentados, foi aprovada na Câmara dos Deputados a criação do VGBL Saúde. Pelo projeto, as empresas poderão contribuir no plano sem que o valor seja considerado parte do salário. 

Na prática, haverá isenção de alguns tributos. Para o beneficiário, a vantagem do VGBL Saúde é que será permitido destinar todo o saldo acumulado para pagar planos de saúde sem que haja desconto do Imposto de Renda. “Temos estudos que mostram que nos últimos cinco anos de vida uma pessoa gasta com saúde o equivalente a tudo o que ela já desembolsou com planos e medicamentos ao longo da vida. Acreditamos que o produto terá um apelo muito grande uma vez que a população está envelhecendo”, diz o vice-presidente da FenaPrevi, Lúcio Flávio de Oliveira. Segundo Oliveira, a expectativa do setor é que o Senado aprove ainda neste ano o projeto do VGBL Saúde.

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