Dólar é a aplicação mais rentável no primeiro semestre

Com instabilidades no cenário interno e externo, moeda americana avança 17,10% no primeiro semestre; na lanterna ficou o CBD, com alta de 2,51%

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 18h55

Apesar de ter fechado o mês de junho no vermelho, com recuo de 2,39%, o dólar comercial foi o investimento mais rentável no primeiro semestre deste ano, com valorização de 17,10%. Na lanterna ficou o CDB, com avanço de 2,51% de janeiro a junho. Já a Bolsa teve alta de 6,15% no período, o melhor desempenho desde o segundo semestre de 2013, quando teve alta de 2013.

“O dólar se fortaleceu frente às principais moedas em função dessa expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos, que ainda não se materializou, mas pode acontecer no segundo semestre”, afirma Fabio Colombo, administrador de investimentos. “Há também o impasse da Grécia na zona do euro, que fez os mercados oscilarem no mundo inteiro.” 

Para ele, um calote da Grécia pode gerar instabilidade no mercado no curto prazo, uma vez que os investidores tendem a migrar para ativos de risco menor e investir em países mais estáveis, como Estados Unidos e Alemanha. "Mas, a médio prazo, não acredito que haverá grandes efeitos, pois a Grécia não é um país muito grande", afirma.

Além das turbulências no cenário internacional, o mercado foi afetado por impasses locais. “Tivemos problemas internos com a balança comercial e de pagamentos, o que fez o real se desvalorizar frente ao dólar”, afirma Colombo. “O governo está com dificuldade de tomar rédeas: há a dificuldade na aprovação do ajuste fiscal, possibilidade de revisão da meta fiscal e denúncias novas da Operação Lava Jato que se aproximam mais do Palácio do Planalto”, diz.

Apesar da instabilidade política e econômica, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) – principal termômetro do mercado acionário brasileiro – avançou 0,61% em junho e 6,15% no ano. Para especialistas, isso acontece pois a Bolsa ainda está num patamar baixo. “A Bolsa já vem de vários anos ruins e acabou fechando próximo ao CDI do semestre – mas não acima o suficiente para pagar o risco maior que ela tem”, diz Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper. 

Ganho real. A renda fixa teve alta de 0,85% em junho, abaixo do Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, que ficou em 0,99% – o maior para o mês desde 1996. "A renda fixa está se saindo bem, mas se você tirar o imposto de renda e taxa de administração, a maioria das aplicações ainda não está ganhando da inflação", afirma Colombo.

Nos últimos tempos, o investidor teve de sair da zona de conforto para obter ganho real nas aplicações.  No primeiro semestre, o IPCA-15 acumulou alta de 6,28% – bem acima das aplicações mais tradicionais que compõem o portfólio dos brasileiros. 

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), a aplicação que mais se destacou no ano foi a de investimentos no exterior, com alta de 26,33%. Em seguida vem o fundo cambial, que avançou 18,08% no período. 

Para os próximos meses, no entanto, com a perspectiva de desaceleração da inflação, a rentabilidade dos investimentos mais tradicionais pode melhorar. "No segundo semestre, acredito que provavelmente a inflação vai começar a cair um pouco, e, se as taxas se mantiverem, o investidor vai começar a ter algum ganho, ainda que pequeno -– de 0 a 3% líquidos", diz Colombo.

Para Viriato, turbulências no cenário externo, sobretudo na Europa, e no interno, com o ajuste fiscal e os desdobramentos da Lava Jato, o investidor não deve arriscar demais no segundo semestre. “Dado o patamar de juro elevado, que ainda deve subir mais uma ou duas vezes, e o cenário de incertezas no mercado externo e interno, é mais prudente ser mais conservador”, afirma ele. “A inflação deve desacelerar nos próximos meses, então as aplicações referenciadas ao CDI devem ter um desempenho melhor no segundo semestre.” 

Outra recomendação dos especialistas são os títulos referenciados à inflação, como as NTN-Bs, do Tesouro Direto, que protegem o investidor da disparada dos preços. De janeiro a maio, o Tesouro Direto ganhou 54 mil novos investidores – mais que o dobro do que os que entraram no mesmo período do ano passado.

Os títulos públicos vêm se popularizando pela boa rentabilidade a um risco menor. Hoje, a diferença entre o número de investidores do Tesouro Direto e o número de pessoas físicas na BM&F Bovespa é de 50 mil – em 2014, essa diferença era de mais de 185 mil.

Já a poupança continua perdendo atratividade e depósitos. No primeiro semestre, a caderneta teve ganhos de 4,69%, também abaixo da inflação do período. Em maio, os saques superaram os depósitos pela quinta vez seguida e, no ano, a poupança já acumula perdas de mais de R$ 32 bilhões.


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