Dólar e ouro lideram investimentos do mês

Aversão ao risco foi determinante na alta desses ativos e na queda da Bolsa, que recuou 6,64% e terminou o mês em último lugar no ranking

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

31 de maio de 2010 | 17h55

O receio de que a crise na Europa esteja longe de ter um fim foi o motivo determinante para que investidores corressem às compras de dólar e ouro, fazendo com que estas aplicações encerrassem o mês de maio no topo do ranking de investimentos. Ambas subiram mais de 4% e foram as únicas cujo retorno foi superior à inflação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) do período, de 1,19%.

"Na verdade, apesar da alta de 4%, o que deve ser visto são as entrelinhas. Apesar da queda do real frente o dólar, a desvalorização foi menor do que a vista na moeda americana frente a outras dividas", diz o sócio e gestor da Vetorial Asset Management, Sérgio Machado. "Esses ativos subiram não por mérito próprio. Não é que o dólar seja um paraíso, mas pela liquidez que tem representa algo sólido", completa o professor da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres.

A conjuntura econômica internacional, que já vinha ditando o humor dos mercados nos últimos tempos, fez com que o mercado buscasse proteção. Durante o mês, a moeda norte-americana bateu o patamar de R$ 1,90 duas vezes, nos momentos de mais instabilidade no mercado internacional.

Apesar da alta, nenhum dos dois ativos é visto como boa oportunidade de investimento. "O ouro indica uma situação de quebra generalizada, o que não é o caso", diz Torres. Além disso, segundo os especialistas, os investidores estrangeiros não estão retirando dólares do País, mas apenas da Bolsa. Eles estariam esperando o melhor momento para recomprar as ações que andam em baixa.

"Sem falar que para compensar o risco da alta da inflação, o ouro ou o dólar teriam que ter uma valorização bem mais expressiva", acredita Machado.

Bolsa

Pelo segundo mês seguido, a Bovespa terminou o mês sendo a aplicação menos rentável. No período, desvalorizou-se 6,64%. "O receio da crise se espalhar para outros países, como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, com risco de eventuais moratórias, foi o estopim para que quedas, muito fortes, ocorressem nas bolsas europeias e se espalhassem pelo mundo afora", lembra o administrador de carteira, Fábio Colombo.

As duas ações mais líquidas do mercado - Petrobrás PN e Vale PNA - não ajudaram e recuaram mais que a Bolsa. Petrobrás PN caiu 9,10% e Vale PNA, 7,84%. "A Bolsa tinha dado uma boa recuperada, mas esperava novos dados para continuar a alta. O que veio, porém, foram eventos negativos na Europa", diz Machado.

O professor Torres destaca dois motivos para a forte queda das duas maiores blue chips. "Petrobrás e Vale possuem muita liquidez no mercado, o que permite que investidores especulem mais, fazendo, por exemplo, operações a descoberto", diz, ao relatar a operação em que o investidor vende um ação para depois recomprá-la no mercado e entregá-la. "Petrobrás tem um motivo a mais para a queda que é a capitalização que a empresa vai realizar. Investidores ainda esperam mais informações."

Especialistas esperam mais volatilidade para a Bolsa em junho, mas sugerem aquisições parceladas de ações. "Neste mês fica novamente a recomendação de compra gradativa de ações", indica Colombo.

Aplicações conversadoras

Os investimentos de menor risco tiveram rendimentos nos patamares de 0,40% e 0,60%. As melhores aplicações foram os fundos de renda fixa, que subiram 0,63%. Segundo especialistas, em abril, o mercado havia subido muito a taxa de juros em função da reunião do Comitê do Política Monetária (Copom) do período. Já em maio, houve uma percepção geral de que o aumento do juro futuro havia sido exagerado, o que causou algumas reduções na taxa. Como os fundos de renda fixa investem boa parte da carteira em títulos prefixados, estes papéis tiveram valorização.

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até R$ 5 mil, por outro lado, tiveram o pior rendimento dentro da renda fixa, subindo 0,43%. Por serem oferecidos a pequenos investidores, estes títulos costumam ter taxas não tão atrativas.

"Dentro da renda fixa, o Tesouro Direto continua sendo uma ótima opção, porque não há taxa de administração, apenas de custódia, que pode ser zero", diz Torres.

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