Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Dólar comercial lidera investimentos em maio

Com tensões relativas ao ajuste fiscal, moeda americana teve alta de 5,81% no mês; já a Bolsa ficou na lanterna, com baixa de 6,17%

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 18h48

O dólar comercial foi a aplicação mais rentável para o investidor em maio. Depois de ter fechado o mês passado no vermelho e na lanterna das aplicações financeiras, neste mês a moeda americana teve alta de 5,81%, e no ano, de 19,96%%. Em último lugar ficou a Bolsa, com recuo de 6,17%% em abril. 

“O dólar está subindo neste mês a mesma magnitude do mês passado, mas no sentido contrário – então vemos uma volatilidade”, afirma Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper. “A Bolsa também fez um movimento similar; então observamos que os ativos de risco no Brasil estão sofrendo uma volatilidade grande”, diz.

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) – principal termômetro do mercado acionário –, recuou 6,17% em maio, após ter avançado quase 10% no mês passado. Ontem, com a divulgação de recuo de 0,2% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano, a Ibovespa fechou em baixa de 2,25%, com recuo de quase todos os pápeis que compõem a carteira. No ano, porém, a Bolsa acumula alta de 5,51%.

“O comportamento do dólar e da Bolsa têm sido antagônicos: quando um vai bem, o outro vai mal”, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. “Assim, o desempenho de ambos foi afetado por questões internas, como as dificuldades que o governo está enfrentando para aprovar as medidas de ajuste fiscal e fazer cortes no orçamento, além dos boatos de uma possível saída do ministro (da Fazenda) Joaquim Levy”, observa.

Ganho real. Já os fundos de renda fixa tiveram alta de 0,90% em maio, acumulando ganhos de 4,33% no ano.

“A renda fixa vem sendo beneficiada pelo aumento da taxa Selic pelo governo; mas, enquanto a inflaçaõ estiver alta, os ganhos reais continuam baixos”, diz Colombo. Ele aponta, no entanto, que a inflação deve começar a arrefecer nos próximos meses. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o mercado espera para maio uma inflação de 0,54%.

“Você começa a vislumbrar que a inflação no médio e longo prazo vai arrefecer, então será menos necessário que o Banco Central aumente os juros”, observa Viriato, do Insper. “Então, aquele investidor que no começo do semestre saiu da zona de conforto e fez algumas apostas foi positivo em juros de longo prazo e também em Bolsa.”

Em 2015, o investidor teve de sair da zona de conforto para obter ganho real nas aplicações. Nos primeiros cinco meses do ano, o acumulado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) – a prévia da inflação – teve alta de 5,23%, batendo a rentabilidade dos investimentos mais tradicionais que costumam compor a carteira dos brasileiros.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), a aplicação que mais se destacou no ano foi a de investimentos no exterior, com alta de mais de 25%. Os fundos cambiais também tiveram bom desempenho, com valorização de 19,18%.

Fundos indexados ao Ibovespa, que replicam a composição do índice, também apresentaram ganho acima da inflação, com avanço de 6,32%. Para Fabio Colombo, o Ibovespa ainda irá se valorizar nos próximos meses. "Quem tem uma visão de longo prazo e não vai precisar mexer no dinheiro pode recorrer à Bolsa, que continua com preços bem convidativos."

Futuro. Com a expectativa de desacelaração da inflação para os próximos meses, no entanto, o investidor não precisará mais ser tão arrojado como para obter bons resultados. "A inflação está se acomodando e as medidas ainda não surtiram totalmente o efeito esperado pelo governo. Mas, a partir de agora, ela vai começar a baixar e o investidor começará a ver algum ganho real nas aplicações, mesmo na renda fixa", observa.

Para Viriato, o investidor que não pegou essa valorização de ativos de risco do início do ano deve ser mais conservador e esperar a próxima oportunidade para arriscar. “Agora, o pequeno investidor deve aplicar em ativos referenciados ao CDI, que estão com rentabilidade atrativa, como os CDBs, as LCIs ou mesmo as LTs no Tesouro Direito", diz.

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