Educação financeira deve começar na infância

Planejar o orçamento é uma tarefa complicada, que, muitas vezes, exige até a ajuda de profissionais do ramo. Para evitar a proliferação dessa dificuldade para as novas gerações, especialistas em educação financeira afirmam que o assunto deve ser tratado com as crianças no cotidiano.

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

19 de abril de 2010 | 12h58

"As finanças precisam ser inseridas na educação das crianças para que sejam formadas adultos com noção de orçamento, poupança, ganhos e gastos", afirma Rogério Bastos, diretor da consultoria FinPlan.

Pagar mesada, ou semanada, aos filhos, por exemplo, é uma medida considerada eficaz para despertar a consciência de poupança nas crianças, bem como a noção de quanto vale o dinheiro. Mas vincular o pagamento da mesada a atividades domésticas ou ao desempenho escolar não é indicado por especialistas.

"Ajudar na casa ou ir bem na escola é uma obrigação. A mesada não tem a ver com isso", explica Álvaro Modernell, especialista em educação financeira infantil.

Bastos, da FinPlan, salienta que a mesada deve ser usada como instrumento de educação. "Além disso, o exemplo dos pais é essencial, sobretudo para crianças até 8 anos", esclarece Modernell. Segundo ele, barganhar, não comprar por impulso e observar os preços na frente dos filhos "é ótima forma de ensinar empiricamente o que é correto".

Modernell já publicou seis livros, cheios de ilustrações, sobre finanças direcionados às crianças. Em maio, lançará o sétimo sob o título ‘Quero ser rico’. "Saliento no livro que riqueza é muito mais do que ter dinheiro. É preciso ter amigos para brincar, por exemplo", diz.

Brincadeira na web. Além da mesada e de livros para educar as crianças financeiramente, os pais têm ainda outras alternativas que somam a disciplina orçamentária com diversão, como jogos de tabuleiro. Os tradicionais Banco Imobiliário e Jogo da Vida são algumas dessas opções.

Com a popularização da internet, também começam a surgir jogos online educativos. O banco Santander já é experiente no assunto. "Há nove anos, temos o site Brincando na Rede direcionado para crianças. Em 2008, inserimos um novo canal financeiro para que as crianças entendam o valor do dinheiro", comenta Sandro Marques, gerente-executivo de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Santander Brasil.

A utilização do site é gratuita, recomendada para crianças de quatro a 12 anos, e não é necessário que os pais sejam correntistas do banco para que os filhos usufruam do serviço.

Sábado, o Santander inaugurou uma nova aba no site, focada no estímulo ao empreendedorismo. "A ideia é que as crianças criem produtos no site que supostamente teriam retorno financeiro na vida real", conta Marques. Os produtos mais votados pelos outros pequenos usuários ganharão créditos para trocar por brindes que são oferecidos pelo Santander. Os brindes, em geral, são materiais escolares, como régua, borracha e estojo.

Em todas as atividades publicadas no Brincando na Rede, há a possibilidade de acumular esses créditos para que ocorra a troca por presentinhos. "Isso é uma simulação subliminar da importância de poupar para trocar por algo que você realmente queira", explica o gerente-executivo do banco.

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