Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Em ano de volatilidade, Bolsa e títulos públicos têm maiores rendimentos

Após vaivém, o Índice Bovespa avançou 15%, seguido pelos títulos atrelados à inflação, que tiveram ganho de 12,3%

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2018 | 05h00

Com a Selic na mínima histórica desde março, 2018 foi marcado por muita volatilidade nos investimentos. Diante da apreensão com as eleições, além de um cenário externo turbulento, o mercado financeiro foi da cautela à euforia – e isso transpareceu no preço dos papéis, de maior e menor risco. Depois de muito vaivém, a Bolsa se consolidou como o investimento mais rentável do ano – mas as incertezas fizeram oscilar os preços também dos títulos de renda fixa. Para quem soube aproveitar as oportunidades, os ganhos não desapontaram.

Segundo levantamento do buscador de investimentos Yubb, feito a pedido do Estado, o Índice Bovespa, principal termômetro do mercado acionário, avançou 15,03% de 1.º de janeiro a 28 de dezembro – 235,95% do CDI (taxa que anda de mãos dadas com a Selic). Em seguida ficaram os títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) – que renderam, em média, 12,31% – e os prefixados, com retorno médio de 11,49%.

“Foi um cenário muito imprevisível, que gerou uma espécie de ‘ressaca’ no mercado”, afirma Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb e responsável pelo levantamento. “Os ânimos só se acalmaram com a definição do quadro eleitoral e a perspectiva de um governo comprometido com as reformas, principalmente a da Previdência.”

Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, descreve o ano como uma verdadeira montanha-russa. “Se você olhar o ano de ponta a ponta, só o começo e o fim, não tem ideia de como foi o filme”, brinca. “A Bolsa subiu 10% em janeiro, depois caiu quase 20% e está fechando com alta de 15%.”

As expectativas com o futuro do País mexeram não só com os preços das ações, mas com investimentos conservadores como o Tesouro Direto. Isso ocorre por causa da chamada marcação a mercado, que é a atualização diária do preço de um ativo ou da cota de um fundo de investimento. Esse mecanismo permite que o investidor saiba quanto receberia se vendesse o título hoje – ou seja, com base na oferta e demanda por aquele papel, quanto o mercado está disposto a pagar.

Assim, foi a marcação a mercado que turbinou os ganhos dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação – diferentemente do Tesouro Selic, que segue diariamente a taxa básica de juros. “Os títulos públicos estavam com rendimento negativo até setembro. Mas, em outubro, tiveram uma reviravolta, o que fez toda a diferença na rentabilidade do ano”, explica Viriato.

Esses ganhos, porém, só se concretizaram para quem vendeu os títulos. Vale lembrar que o investidor só ganha ou perde no Tesouro Direto se resgatar antes do vencimento. Caso carregue o título até o final, terá exatamente a rentabilidade acordada na hora da compra.

“Não recomendamos esse trade (operação) com Tesouro para quem está começando – porque é importante que primeiro ele junte uma reserva de emergência e também separe um dinheiro para o futuro”, diz Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama. “Mas, para quem já tem essa reserva e um pouco mais de conhecimento, certamente houve boas oportunidades no Tesouro e na renda fixa.”

Viriato destaca que tamanha volatilidade com os ativos ao longo do ano fez com que os fundos multimercado, “queridinhos” de 2017, não fossem tão bem este ano. Segundo o Yubb, o rendimento médio dessa categoria foi de 7,18%. Já os robôs de investimento, que lideraram o ranking no ano passado, também tiveram um desempenho mediano, de 8,09%.

No levantamento, foram considerados mais de 184 mil produtos disponíveis para pessoas físicas por meio de plataformas online de investimento ao longo de 2018, com liquidez de pelo menos seis meses. Foram mapeados os fundos abertos ao varejo, com valor de investimento mínimo de até R$ 50 mil.

Cenário para o mercado financeiro em 2019

Para 2019, com a perspectiva de recuperação da economia, as previsões para a Bolsa seguem otimistas. “O cenário já é mais claro porque a indefinição política saiu do radar”, diz Sandra, da Órama.

“Os ganhos da renda fixa serão mais limitados, por isso mudamos a recomendação de renda variável na carteira de 10% para 20%”, diz. Ela observa que, para o investidor iniciante é melhor começar no mercado acionário via fundos de ações, pesquisando o perfil e as taxas de administração.

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