Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Empréstimo com garantia de imóvel tem juro menor e prazo alongado

Em tempo de crédito escasso nos bancos, linha conhecida como ‘home equity’ atrai principalmente pequenos empresários em busca de capital

Mariana Congo e Natália Cacioli, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 03h00

Contratar um empréstimo em 2015 ficou mais difícil e mais caro. Diante da crise econômica e do risco maior de inadimplência, os bancos frearam a concessão de crédito e, quando emprestam, cobram um preço alto. Como forma de diminuir os riscos nas operações – e, consequentemente, as taxas de juros –, instituições financeiras estão incentivando uma linha de crédito ainda pouco usada no Brasil, na qual o cliente dá um imóvel próprio como garantia do financiamento.

Chamada de “home equity”, essa modalidade oferece os menores juros e os maiores prazos de pagamento entre todas as linhas de crédito pessoal no mercado. De acordo com o Banco Central, em média, o juro do home equity está em 1,44% ao mês (18,7% ao ano), enquanto em agosto a taxa para empréstimo pessoal chegou a 62,9% ao ano em bancos e a 144% em financiadoras, segundo pesquisa da Anefac. 

O valor médio do financiamento na modalidade home equity é de R$ 112,6 mil, segundo o BC, que autoriza o empréstimo de até 60% do preço de avaliação do imóvel. O prazo para pagamento também é bastante alongado: em média, são 13 anos, mas alguns bancos parcelam em até 20 (veja lista abaixo).

 Segundo o diretor comercial de crédito do Banco Intermedium, Marco Túlio Guimarães, nunca a demanda foi tão forte. “No entanto, estamos trabalhando de uma forma mais conservadora para atravessar esse período conturbado da economia. Limitamos o financiamento a 50% do valor do imóvel, mas nossa média é de 33%”, conta. Apesar disso, o tíquete médio está em R$ 230 mil.

Como os empréstimos são de valores elevados, essa linha de crédito tem sido muito procurada por pequenos e médios empresários que encontram dificuldades para contratar financiamentos como pessoa jurídica. Segundo o diretor de crédito imobiliário do Banco do Brasil, Hamilton Rodrigues da Silva, além de empreendedores, pessoas com a renda muito comprometida por dívidas também se encaixam no perfil. 

Apesar do juro baixo, a procura pelo home equity ainda é tímida porque o brasileiro tem receio em dar o imóvel como garantia. “Vejo como uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse tipo de crédito é muito mais comum”, diz Silva. Para incentivar a modalidade, o BB está investindo em divulgação. “Essa linha tem sido mais procurada neste ano, mas ainda está muito aquém do seu potencial de crescimento.”

O contador Raimundo Batista, de 58 anos, não conhecia o home equity até receber uma propaganda no e-mail. Endividado com um empréstimo e com as contas da festa de casamento da filha, ele contratou o financiamento na Domus Companhia Hipotecária a uma taxa mensal de 1,19% em dez anos. “Existe o risco de entregar sua casa se não pagar, mas pretendo quitar o financiamento antes do prazo final”, diz.

Mesmo com a garantia do imóvel, em caso de inadimplência, as instituições financeiras preferem, primeiro, tentar renegociar a dívida, para só em último caso tomar o imóvel. “Quando o cliente percebe que está prestes a perder o imóvel, dá um jeito de pagar”, conta Guimarães. A inadimplência (acima de 90 dias) no Banco Intermedium está em 3,8% e tem se mantido estável neste ano. A inadimplência geral, segundo dados do BC, subiu para 4,8% em julho, maior patamar desde julho de 2013. 

Vale destacar que, antes de contratar o financiamento, é importante pesquisar as taxas de avaliação do imóvel e os custos com cartório, que ultrapassam R$ 2 mil. O diretor da Empírica Investimentos, Roberto Sampaio, lembra que, quanto maior o valor financiado, mais esses custos fixos ficam diluídos. 

TAXAS E CONDIÇÕES POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA

 

Banco do Brasil

 

Taxa de juros: De 1,75% até 2,20% ao mês

Prazo do financiamento: Até 15 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel

Custo de avaliação do imóvel*: R$ 2.500,00

 

Caixa Econômica Federal

 

Taxa de juros: De 1,27% ao mês + TR até 1,66% ao mês + TR

Prazo do financiamento: Até 20 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Valor mínimo de empréstimo de R$ 20 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.200,00

 

Bradesco

 

Taxa de juros: A partir de 1,80% ao mês

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel

Custo de avaliação do imóvel: Banco não divulga

 

Itaú Unibanco

 

Taxa de juros: Banco não divulga

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 50% do valor do imóvel. Financia até R$ 3 milhões

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.850,00

 

Santander

 

Taxa de juros: De 1,47% a 1,79% ao mês

Prazo do financiamento: Até 15 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Empréstimo de R$ 30 mil até R$ 2 milhões

Custo de avaliação do imóvel: R$ 1.490,00

 

Banco Intermedium

 

Taxa de juros: 1,45% ao mês, mais IGP-M

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 50% do valor do imóvel. Empréstimos a partir de R$ 50 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.200,00

 

Pan Sua Casa (Banco Pan)

 

Taxa de juros: 1,16% ao mês, mais IGP-M

Prazo do financiamento: Até 20 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Empréstimos a partir de R$ 50 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.480,00

 

*SOMA-SE A ESSE CUSTO O VALOR PARA REGISTRO DO CONTRATO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS CUJO PREÇO DEPENDE DA TABELA DE CADA ESTADO

Refinanciamento de veículo é opção para endividado

Enquanto o home equity é mais indicado para quem precisa de uma grande quantia de dinheiro – como para empreender ou estudar no exterior –, o refinanciamento do veículo pode ser uma saída para dívidas menores. O processo de liberação de crédito é mais ágil e os juros são mais moderados. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece uma taxa a partir de 1,82% ao mês (24% ao ano) e financia até 70% do valor do veículo no prazo máximo de 60 meses. A taxa de juros é bem menor que a do rotativo do cartão de crédito, que chegou a 350,79% ao ano em agosto, segundo pesquisa da Anefac.  

Antes de contratar o empréstimo, no entanto, é indicado considerar se o veículo é essencial. Se não for, a melhor opção é vendê-lo: além dos juros do financiamento, há custos de manutenção, seguro, combustível e a própria desvalorização do bem.

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