Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Euro, dólar e até poupança rendem mais que ações em março

No entanto, Bolsa liderou ganhos no acumulado do ano, atingindo valorização de 9,78%

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 19h27

No mês de março, a Bolsa apresentou uma das piores performances entre os principais investimentos no Brasil. No período, o euro foi o ativo com maior valorização, com alta de 3,56% até o último dia 28. Na sequência aparece o dólar, que registrou alta de 2,73% no período. Ao mesmo tempo, o mercado acionário enfrentou uma queda de 1,73%.

No período, os CDBs obtiveram retorno na faixa de 0,40% a 0,55%, de acordo com o valor investido e o risco de crédito da instituição emissora do ativo. E até mesmo a poupança, tão questionada em tempos de Selic baixa, registrou ganho líquido de 0,39%. No entanto, este parece ter sido um mês atípico, uma vez que a valorização da Bolsa no acumulado do ano atingiu 9,78%.

A explicação para isso está na decisão do presidente norte-americano Donald Trump de taxar as importações de aço e alumínio, que impactou o mercado acionário em todo o mundo. 

Nesta segunda-feira, 2, o dólar terminou em alta, enquanto a Bovespa acabou o pregão em baixa, diante de um cenário de cautela dos investidores no exterior e no mercado local. Os motivos de preocupação são a retaliação da China contra os Estados Unidos e o habeas corpus de Lula. O índice de ações perdeu 0,82%, encerrando aos 84.666 pontos, e a moeda americana subiu 0,36%, cotada a R$ 3,3151.

Para o administrador de investimentos Fábio Colombo, este dois fatores devem continuar ditando o ritmo do mercado. "No setor externo, em março, o fato mais importante foi a taxação de produtos importados do setor siderúrgico e de alumínio, fato que impactou fortemente as bolsas ao redor do mundo devido ao receio de guerra comercial em escala global", pontuou, em nota.

++ ‘Atitude de Trump é ilegal e enfraquece OMC’

Na avaliação do professor de economia do Insper, Ricardo Rocha, o efeito da decisão ao redor do mundo era esperado e deve continuar repercutindo no curto prazo. "Por enquanto o Brasil não está sendo taxado, mas ainda não sabemos como será a sanção após o fim do prazo das negociações. Além disso, o ambiente interno também é preocupante e terá efeitos sob a Bolsa", diz. Para ele, a incerteza política ainda é o principal fator de risco para o mercado interno.

 

Os especialistas apontam que, durante o mês de abril, os dados de crescimento das economias da China, Estados Unidos e Europa devem ser acompanhados de perto para entendimento do comportamento do mercado. Além disso, a política monetária dos EUA frente a pressão inflacionária também merece atenção. No Brasil, os índices de inflação e a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também devem ditar os movimentos do mercado, junto ao julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula.

+ Banco Central reduz taxa de juros Selic para 6,5% e deixa aberta a chance de novo corte

"Nosso cenário interno é mais preocupante do que a questão do aço neste momento", opina Rocha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.