Expectativa de queda dos juros no governo Temer movimenta investimentos da renda fixa

Expectativa de queda dos juros no governo Temer movimenta investimentos da renda fixa

Estrategistas veem corte da Selic a partir de agosto e recomendam migração para prefixados, mas títulos atrelados à inflação continuam no radar

Bianca Pinto Lima, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 08h27

Já é consenso no mercado que os juros vão começar a cair a partir do segundo semestre, no que seria o primeiro corte depois de quase quatro anos. A Selic está congelada no patamar de 14,25% há seis encontros seguidos do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e não sofre redução desde agosto de 2012. A dúvida é quando e com qual velocidade a taxa será cortada, especialmente após as mudanças que devem ser feitas no comando do BC. 

Estrategistas consultados pelo Estado preveem redução a partir de agosto ou outubro e sugerem ajustes nas aplicações em renda fixa, que continuam no topo da lista de investimentos recomendados. A avaliação é de que agora o BC pode ganhar um aliado no combate à inflação: um governo menos gastador. O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defende um sistema de controle das despesas, mas já admitiu que o rombo nas contas públicas em 2016 será maior do que o previsto. O otimismo do mercado, portanto, é cauteloso.

Para Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management, o corte da Selic pode chegar a quatro pontos porcentuais em um período de dois anos, caso as reformas fiscais sejam aprovadas. “Nesse cenário, vejo os títulos prefixados como boa alternativa para quem tem um horizonte de pelo menos um ano. Também gosto dos indexados à inflação, porque o prêmio de risco ainda está alto”, diz.

Os papéis do Tesouro Direto, portanto, seguem como a principal recomendação do mercado, sobretudo para o pequeno poupador. Isso porque o investimento inicial é baixo (a partir de R$ 30), há facilidade na compra (pode ser feita pelo site do Tesouro e basta ter conta em uma corretora) e é a aplicação de menor risco. “O grande movimento ainda está para acontecer na renda fixa, com os títulos prefixados ganhando destaque no médio prazo”, reforça Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec. Ele prevê redução da Selic a partir de agosto, com a taxa a 11,5% em 2017.

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Começamos a migrar a carteira de alguns investidores para títulos prefixados, já prevendo uma queda dos juros. Mas tem títulos atrelados ao IPCA que ainda pagam bons prêmios, diz Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos.
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Além dos prefixados, os títulos indexados ao IPCA seguem no radar, já que ainda garantem um ganho real (acima da inflação) elevado: em torno de 6%. Mas, mesmo se tratando de renda fixa, é preciso cautela antes de investir. “O nome não ajuda muito, pois é um produto que tem, sim, volatilidade bastante grande”, alerta Cláudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência do banco Itaú. Para evitar qualquer prejuízo, a orientação é carregar o papel até o vencimento. 

Além da preocupação com a chamada marcação a mercado, que muda o valor do título ao longo da aplicação conforme o movimento dos juros, é necessário atenção ao Imposto de Renda (IR). Os produtos de renda fixa têm uma tabela regressiva de cobrança: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor é a alíquota paga. O tributo começa em 22,5% e cai para 15% em investimentos acima de dois anos. “Não pode ficar pulando de galho em galho, senão vai perder dinheiro com imposto”, destaca o administrador de investimentos Fábio Colombo.

Opções. O poupador também pode optar pela comodidade de um fundo, em que o gestor realoca os recursos de acordo com as mudanças macroeconômicas. Essa administração profissional, porém, tem um custo. “Para fundos de renda fixa, a taxa deve ser de até 1% para valer a pena”, diz Espírito Santo, da Órama Investimentos. Esse tipo de fundo investe em diferentes títulos públicos e privados. Já os DI acompanham de perto a variação da taxa de juros e, portanto, não são os mais indicados no atual cenário. 

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O grande movimento ainda está para acontecer na renda fixa, com os títulos prefixados ganhando no médio prazo. Vejo redução da taxa Selic a partir da reunião de agosto do Copom, diz Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos
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Dentre os produtos bancários, o CDB aparece como uma boa opção. Nos bancos maiores, a rentabilidade fica abaixo de 100% do CDI (taxa que baliza aplicações conservadoras e fica muito próxima da Selic). Já as instituições financeiras menores oferecem retornos mais atrativos, uma vez que são mais arriscadas. A orientação é investir até R$ 250 mil, que é o limite de cobertura, por CPF, feita pelo Fundo Garantidor de Crédito no caso de falência do banco.

A Letra de Crédito Imobiliário (LCI), que tem isenção de IR e também conta com a garantia do FGC, é igualmente interessante, mas hoje há pouca oferta e muitos rumores sobre uma possível mudança na tributação. Já se o objetivo for diversificar, há as debêntures de infraestrutura, que também são isentas. Mas é preciso ter maior tolerância ao risco e abrir mão de liquidez. Isso porque o investidor se torna credor da companhia e o prazo de vencimento costuma ser maior que um ano. 

A única aplicação que é desvantajosa em todos os cenários é a poupança. “Um título atrelado ao IPCA paga 6% mais inflação, contra cerca de 8% da caderneta. É praticamente o dobro, com risco quase igual”, destaca Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos.

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Bolsa tem espaço para alta, mas seguirá volátil

No cenário mais otimista, Ibovespa poderia ultrapassar os 70 mil pontos, mas isso dependerá do sucesso do governo Temer

Bianca Pinto Lima, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 08h32

Em 2016, a Bolsa acumula valorização de quase 20%, boa parte dela por causa do cenário político brasileiro. As reformas econômicas propostas pelo novo governo Temer agradam ao mercado financeiro e isso se refletiu no preço dos ativos nacionais nos últimos meses. O efeito também é visto na cotação do dólar, que caiu 11% desde janeiro. Mas agora que o afastamento da presidente Dilma Rousseff se concretizou, ainda há espaço para uma alta adicional da Bolsa ou um novo movimento de queda do dólar?

A resposta, dizem os estrategistas, dependerá do desempenho da nova administração. No cenário mais otimista, o analista da XP Investimentos Ricardo Kim prevê que o Ibovespa poderá superar os 70 mil pontos em um período de dois anos. “Se tivermos um governo de transição satisfatório, veremos uma melhora gritante nas expectativas. Mas tem muita variável no meio do caminho, como a capacidade de articulação política, a qualidade das reformas propostas e os desdobramentos da Lava Jato”, detalha Kim. 

Ronaldo Patah, do UBS Wealth Management, também vê o desempenho da Bolsa atrelado ao sucesso das reformas econômicas, sobretudo as fiscais. “Estamos falando de reformas enormes (para conseguir estabilizar a relação entre dívida e PIB), de R$ 300 bilhões. Isso não vai ser feito nos primeiros meses”, alerta. Para Patah, se as medidas passarem no Congresso, a Bolsa pode buscar os 60 mil pontos, mas não muito mais do que isso. Ele alerta também para a volatilidade: “O (indicador) preço sobre lucro das empresas está alto e quando isso acontece a Bolsa fica mais suscetível a realizações.”

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Se o governo propuser boas reformas e conseguir aprová-las, haverá espaço para alta da Bolsa, que pode buscar os 60 mil pontos, diz Ronaldo Patah, do UBS Wealth Management
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Para o pequeno poupador, o mercado acionário pode ser visto como uma forma de diversificação, mas a maior parte da carteira deve continuar alocada na renda fixa. “Tem muito risco, então o pequeno investidor não deve entrar”, afirma Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec. Para ele, 60 mil pontos também seria o teto da valorização. 

Já no mercado de câmbio, as projeções estão mais alinhadas. O atual patamar, ao redor de R$ 3,50, deve ser mantido sem grandes oscilações. Se por um lado a melhora das expectativas pode atrair dólares para o País, o que forçaria uma queda na cotação, o Banco Central deve continuar atuando na ponta contrária. “O câmbio até poderia ir para R$ 3,30, mas o BC deve intervir”, afirma Patah, estrategista do UBS. 

“O dólar é uma das coisas mais difíceis de se fazer previsão. Só recomendamos esse tipo de exposição para clientes que têm compromissos na moeda americana”, alerta Cláudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência do banco Itaú.

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