Fim de ano é época de embolsar dividendos

Fique atento às datas de pagamento e aos termos que você deve saber para entender esta bonificação

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

25 de outubro de 2010 | 14h52

Com a proximidade do fim do ano, chega também a época de algumas companhias com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo distribuir parte do lucro acumulado ao longo de 2010. Algumas optam por distribuí-lo semestralmente, outras trimestralmente ou ainda mensalmente. Mas, independentemente do período da apuração do resultado, o investidor pode aproveitar para adquirir os papéis que prometem pagar bons dividendos no fim do ano e começo de 2011.

"Para não perder o pagamento, é importante saber o que significam cada data divulgada pelas empresas", diz o analista-chefe da corretora Ágora, Marco Melo. Entre os termos utilizados, dois merecem atenção: data base e data ex.

A data base refere-se ao dia no qual a pessoa deve deter a ação em carteira para ter direito ao recebimento do dividendo. "É a data de corte na qual a pessoa já tem de ter comprado a ação.", diz. Já a data ex é o dia a partir do qual o dividendo é descontado do preço da ação que está sendo negociado na Bolsa. As ações passam a ser negociadas sem o direto de recebimento do dividendo e, por isso, no jargão do mercado fala-se que elas estão "vazias".

Além disso, é preciso saber distinguir entre o tipo de provento que será pago. Além do dividendo, há também o Juro Sobre Capital Próprio (JCP). A diferença básica é que ao receber o JCP é o próprio acionista que deve pagar os 15% de Imposto de Renda ao governo, enquanto os dividendos já são pagos com o IR descontado.

Quais ações valem a pena

Pela regra das SAs., as empresas de capital aberto com ações negociadas na Bolsa são obrigadas a distribuir pelo menos 25% do lucro em forma de bonificação. Na prática, porém, algumas companhias acabam pagando mais dividendos.

"É o caso das elétricas, por exemplo. Elas não precisam fazer grandes investimentos. Acabam convertendo em dividendo uma parcela alta do lucro", diz o analista-chefe da corretora Icap, Gabriel Laera.Ele fez um estudo no qual comparou os retornos das ações do Ibovespa.

O principal indicador para avaliar se o porcentual do dividendo é alto ou baixo é o dividend yield, calculado a partir do valor pago em dividendo dividido pela cotação da ação. Segundo um levantamento do especialista realizado com as ações do Ibovespa, 39 ações pagaram até 4,07% em dividend yield nos últimos 12 meses. "É a chamada média moda, o que a maioria paga. Acima desse valor o dividend yield já é considerado alto", diz Laera.

Segundo Melo, da Ágora, a média de dividend yield das 100 empresas de maior relevância da Bovespa, cobertas pela corretora, é de 5%. Companhias com retorno acima deste, portanto, já valeriam à pena.

"É um retorno mais garantido. A outra parte da rentabilidade vem da própria valorização da ação. Mas como há essa parte mais  certa, em geral, empresas boas pagadoras de dividendos não sofrem grandes altas na Bolsa", explica o analista da Icap.

Entre as ações indicadas pela Ágora figuram AES Tietê, cujo dividend yield dos últimos 12 meses foi de 10,4%, e Tegma, com 7,6% de retorno. A Icap sugere Telesp, Cielo, Transmissão Paulista, Cemig, Souza Cruz, CPFL e CCR. Segundo cálculos de Laera com dados da Economática, esta carteira subiu 13,25% nos últimos 12 meses, sem contar o rendimento co dividendos.

Uma última dica é verificar qual a periodicidade do pagamento do dividendo. Para quem investe no longo prazo, o período não faz diferença. Mas para quem deseja aplicar mais ativamente, no curto prazo, o pagamento trimestral é preferível.

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