Fundo de ação ou home broker? Escolha depende do perfil de cada investidor

Segundo analistas, não há resposta pronta para o melhor caminho a seguir para aplicar em bolsa de valores. Única certeza é ter como foco o longo prazo

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

18 de julho de 2010 | 19h09

O investidor comum que quer aplicar em ações usualmente se depara com uma dúvida: é melhor comprar papéis diretamente na bolsa de valores ou tornar-se cotista de um fundo? Especialistas dividem-se na recomendação. Mas, em geral, afirmam que a decisão depende do perfil de cada um.

Para os mais ousados e com mais tempo para administrar a carteira, a recomendação é encarar o home broker – programa online de negociação. Os novatos que não têm interesse em entender profundamente os jargões (em sua maioria estrangeiros) e gráficos que permeiam as negociações acionárias devem optar pelos fundos.

Silvio Paixão, professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), pontua três questões básicas para que o investidor decida que rumo seguir: quanto será investido, quanto tempo há disponível para cuidar dos investimentos e quão familiarizado se está com a bolsa de valores.

 

O professor afirma que a resposta da primeira pergunta já eliminará boa parte dos indecisos. "Se tiver menos de R$ 50 mil, vá para um fundo, porque montar uma carteira própria com valor inferior a isso será muito arriscado", explica Paixão.

Além disso, tempo e interesse sobre o assunto durante todo o período em que o dinheiro for mantido nas ações são os outros pontos básicos para a tomada de decisão. "Quem optar pelo investimento direto não poderá descuidar. Ação demanda atenção", completa Paixão.

 

Diversificação

Paulo Portinho, gerente do Instituto Nacional de Investidores (INI), tem opinião um pouco diferente sobre o montante ideal para ser aplicado diretamente. Para ele, a partir de R$ 15 mil já é possível elaborar uma "boa carteira de ações, com nível interessante de diversificação".

No entanto, ele também afirma que não é só o volume de dinheiro que deve determinar o destino do investimento. "Quem optar pela compra direta de ação precisa reservar um tempo para estudar o mercado acionário e as empresas em que pretende investir", salienta.

Tanto para ações quanto para os fundos é recomendado o longo prazo – ao menos cinco anos. Quanto menor o período, maior o risco, dizem os analistas. "Ações para pequeno investidor amador só para longo prazo", reforça Maurício Bastter Hissa, educador financeiro e ferrenho defensor da renda variável.

Hissa é um dos analistas que recomendam a aplicação direta em ações. "Para que pagar para alguém administrar seu dinheiro se é possível fazê-lo sozinho?", indaga.

O especialista lembra que, nos fundos, há a taxa de administração, custo que, muitas vezes, prejudica o desempenho do fundo. "Não basta o fundo render bem. Tem de render muito bem, para que a taxa não 'coma' a rentabilidade", frisa.

Como escolher o fundo

Para escolher em qual fundo aplicar é preciso estudar e pesquisar, segundo os analistas. "A diferença é que você fará isso somente na hora da escolha, enquanto quem aplicar diretamente terá de estudar e pesquisar o tempo todo", explica Fábio Colombo, administrador de investimentos.

A primeira coisa que deve ser analisada no momento de tornar-se cotista de um fundo é a performance nos anos anteriores. Cinco anos, segundo especialistas, são um bom período para ter uma ideia. "Rentabilidade passada não é garantia de futura, mas é possível ter uma noção do desempenho dali em diante", observa Paixão.

A rentabilidade do fundo nos anos anteriores deve ser parecida com o desempenho do Ibovespa, principal termômetro da Bolsa de Valores de São Paulo. Se a rentabilidade for muito superior, também deve-se tomar cuidado. "Pode ser um sinal de muita alavancagem (o que indica risco elevado)", diz Portinho.

Como os fundos cobram taxa de administração, Renato Roizenblit, consultor financeiro, recomenda apenas fundos que alterem suas carteiras de forma a aproveitar os bons movimentos do mercado. "Não há por que entrar em um fundo com carteira estática."

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