Gestores estão otimistas com fundos de ações a partir do 2º trimestre

Para especialistas, começo do ano deve reservar volatilidade, mas a partir do segundo trimestre rentabilidade de fundos com renda variável deve melhorar

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

22 de dezembro de 2010 | 13h52

O ano difícil da Bolsa de Valores de São Paulo foi fundamental para definir as melhores aplicações no mercado de fundos de investimento. Aqueles que seguiram uma estratégia diferenciada, como alguns multimercados, ou que aplicaram em renda fixa alcançaram uma rentabilidade maior do que a maioria dos fundos de ações, que em alguns casos amargam até perdas. Apesar do cenário para 2011 se mostrar mais positivo para o mercado acionário, a sugestão dos especialistas é que a posição em fundos de maior risco seja aumentada aos poucos, pois o primeiro semestre ainda deve reservar muita volatilidade.


"A Bolsa não teve um ano bom", diz o professor da Fundação Getúlio Vargas, William Eid, ao lembrar que até o dia 21 de dezembro a Bovespa acumula queda de 0,54%. "É natural que os fundos que aplicam parte da carteira em ações ficassem para trás", completa.



Segundo especialistas, em 2011, o investidor pode aumentar o porcentual em fundos com ações no segundo semestre. "O investidor deve ter alguma coisa em ações, mas ele deve aumentar a posição no segundo semestre, quando o risco do cenário externo diminuir", diz o diretor de gestão de recursos do Itaú Unibanco, Paulo Corchaki. "A recomendação é não colocar tudo de uma vez e numa cesta só", afirma o diretor de renda variável  da Bradesco Asset Management, Herculano Aníbal Alves.


Para a maioria dos especialistas, continua a regra de selecionar o fundo no qual aplicar. Eles indicam aqueles que aplicam num setor específico, como consumo interno, ou em empresas que pagam bons dividendos. "O dividendo pago pela ação é capitalizado pelo cotista, o que em três, quatro anos faz muita diferença na rentabilidade", diz o consultor Mauro Calil.


Para Corchaki, porém, a bolsa tende a andar mais uniforme no curto prazo. "A bolsa deve andar mais parecida, e não como neste ano que tiverem alguns destaques muito positivos", diz. Um destes destaques foi a Vale, que acumula alta de mais de 21%. Os fundos que tem suas ações lideram o ranking do ano, com alta de mais de 17%.


Renda fixa e multimercados


A alta que a taxa básica de juros (Selic) deve sofrer em 2011 ajudará as aplicações mais conservadoras. A elevação da taxa deve beneficiar, sobretudo, a rentabilidade dos títulos pós-fixados no curto prazo, que acompanha a variação do juro. Para períodos maiores, no entanto, especialistas recomendam outros tipos de títulos.


"Para um perfil de médio e longo prazo, indicaria fundos que aplicam em títulos de inflação, que seguem um índice de referencia como o IMA-B (Índice da Andima composto por títulos públicos federais atrelados ao IPCA", diz o superintendente executivo de renda fixa e multimercados da  Bradesco Asset Management, Luis Roberto Zaratin Soares. A volatilidade desses títulos, segundo ele, não costuma ser grande.


A tendência para o juro é de alta no curto prazo, mas de baixa no médio e longo. Por isso, quando o juro já tiver subido, o investidor pode passar alocar a carteira em fundos de renda fixa, compostos por títulos prefixados. "Não que no primeiro semestre os fundos de renda fixa serão ruins, mas a partir do segundo se tornarão mais atrativos", afirma Corchaki.

Em 2010, entre os fundos conservadores, os de renda fixa se saíram melhor. Entre os motivos, os gestores citam o fato de estes fundos também carregarem em sua carteira títulos de crédito privado, que possuem rentabilidade maior do que os públicos. Além disso, fundos de curto prazo costumam ter taxas de administração maiores.


Para os multimercados, a perspectiva é positiva uma vez que o juro tende a subir e a Bolsa a ter um melhor desempenho. A boa rentabilidade do fundo, porém, irá depender da habilidade do gestor em seguir estratégias e modificá-las. Os fundos multimercados podem aplicar em diferentes ativos: dólar, ações, títulos públicos, entre outros.


Soares indica fundos multimercados que possuam ações, já que eles podem ficar hora comprados (ganhando na alta da Bolsa) e vendidos (lucrando na queda). É preciso pesquisar o histórico do gestor para ver se ele é ativo na gestão da carteira. "Tradicionalmente, os gestores tendem a ser passivos e ficar sempre comprados em alguns ativos", diz Eid.


Calil também lembra a necessidade de ler atentamente o prospecto do fundo, para verificar se ele pode ficar alavancado e assim perder um patrimônio maior do que possui. Esses fundos, considerados mais arriscados, podem chamar o investidor para colocar mais dinheiro caso a perda supere o patrimônio.

 

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