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Inflação sob controle afeta investimentos

Nível de juros e inflação bem comportada devem ser considerados na hora de escolher onde aplicar

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2019 | 04h00

Considerando que a taxa básica de juros do País está no nível mais baixo da história e que a inflação está sob controle, qual opção do Tesouro Direto seria a mais vantajosa para um investimento na faixa de R$ 10 mil?

Uma boa alternativa é o Tesouro Direto IPCA+ (NTN-B), um título pós-fixado indexado à inflação. Atualmente está sendo negociado na faixa entre 3,39% e 3,98% ao ano, mais a variação do IPCA. Mas a melhor alternativa deve considerar o prazo para o investimento. A melhor resposta sempre depende do objetivo que se pretende atingir e isso significa determinar prazo, valor e a importância do investimento para sua vida. Se você pretende usar os R$ 10 mil no curto prazo e é o único valor que tem guardado, não pode correr risco algum, assim, a melhor indicação seria o Tesouro Selic, que acompanha a taxa de juros e permite que se saia da aplicação a qualquer tempo. Por outro lado, se seu objetivo for de longo prazo você tem à disposição o Tesouro IPCA+ até 2050. O nível de juros e controle da inflação no País é uma nova realidade e temos que investir com essa base. Quem quiser ter um pouco mais de rentabilidade terá que investir com mais risco. Esse é um cenário mais de acordo com o que acontece em países desenvolvidos. O fato é que o brasileiro estava mal-acostumado: há menos de 15 anos nós aplicávamos em NTN-B com vencimento em 2024 a uma taxa de 9,0% mais o IPCA, hoje está a 3,4% ao ano. O importante é entender que devemos nos orientar na poupança e não no consumismo, e que ter sucesso em investimentos é ter regularidade em nossas aplicações, buscando diversificar conforme o volume de dinheiro poupado aumentar. Isso tudo depende de bom planejamento financeiro. 

Li que em duas semanas um investidor teve ganho de R$ 100 mil por ter investido R$ 5 mil em opções. Isso é possível?

Sim, é possível, mas não significa que seja uma estratégia adequada para todos os investidores. Há diversas histórias de sucesso em investimentos que são encontradas na internet. Boa parte é verdadeira e não se confunde com o caso Betina. São narrativas de ganho investindo em opções. Mas é preciso entender que são investimentos altamente especulativos. Investir em opções ocorre de forma alavancada porque você entra com investimento inicial relativamente baixo e pode realizar altos ganhos. No exemplo mencionado o retorno foi de quase 2.000%. A opção de compra (ou venda) de uma ação, dá o direito ao investidor (titular) de comprar (ou vender) determinada ação ao preço de exercício combinado em data futura. Mas a opção tem um preço de compra, denominado prêmio. Por outro lado, o vendedor da opção (lançador) é obrigado a vender (ou comprar) a ação ao preço combinado. Caso o preço na data de exercício não traga lucro àquela opção, ele vira pó e o investidor perde o prêmio pago e o vendedor da opção fica com o valor do prêmio. Um exemplo: o investidor pagou prêmio de R$ 1,00 por cada opção de venda da Vale com vencimento em 14 de julho com preço de exercício a R$ 54,72 por ação. O vendedor da opção será obrigado a comprar a ação ao preço estipulado. Se a ação ficar em R$ 50,00, quem está com a opção obriga a outra parte a comprar a ação a R$ 54,72. Em resumo, esse investidor recebe R$ 4,72 menos R$ 1,00 referente ao prêmio, lucro de R$ 3,72. Esse tipo de operação é para quem tem muito apetite a risco. Dicas para operar nesse mercado: não se exponha a risco demasiado, tenha disciplina, sangue frio e, principalmente, faça cursos para entender tudo sobre opções. Não é uma operação típica para o investidor que só quer preservar patrimônio

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