Investidor pode se proteger da Bolsa volátil com aposta nos dividendos

Companhias que têm a maior parte de seus negócios no mercado interno costumam distribuir mais lucros, afirmam especialistas

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

20 de novembro de 2011 | 23h37

A alta de mais de 11% da Bovespa em outubro não foi suficiente para reverter o prejuízo acumulado ao longo de 2011. E, apesar desta recente valorização da Bolsa, especialistas advertem: a volatilidade ainda é o nome do jogo no mercado de ações. Para quem pensa em resgatar a carteira de ações no curto prazo, comprar ações que pagam bons dividendos é uma opção, segundo analistas de mercado.

"Essas ações são menos sensíveis à deterioração das expectativas. As companhias já investiram e hoje colhem o fruto dos projetos desenvolvidos e que já estão maturando", diz o professor de finanças da escola de negócios Insper, Ricardo Almeida. Ao ter lucro, a empresa tem duas opções: investir ou distribuí-lo. "Se a empresa ainda precisa investir muito é natural que distribua menos bonificação", explica a economista Alexandra Almawi, da Lerosa Investimentos.

Prova de que estes papéis sofrem menos em momentos de incerteza é que neste ano o Ibovespa - principal índice de ações da Bolsa - acumula queda de mais de 18%, contra uma alta de 6,6% do Índice de Dividendos. "São ações mais defensivas, de volatilidade menor", explica a economista da Lerosa Investimentos. "Quando a Bolsa volta a subir, as ações defensivas tendem a se valorizar menos", diz.

Quem investe em ações está sujeito ao crescimento da economia. "Acho indicado comprar papéis que pagam bons dividendos para quem tem um horizonte de mais curto prazo, para quem quer ter um retorno em até dois anos, quatro anos e tem que correr um risco menor", diz Almeida.

Mercado interno. Especialistas explicam que as empresas que costumam pagar maiores dividendos geralmente estão de setores voltados para o mercado interno, em um momento em que justamente é o mercado externo que tem causado baixa nas bolsas. Energia elétrica e telecomunicações são exemplos. Estas companhias têm as tarifas reajustadas pela inflação, tendo maior estabilidade de receita. Empresas ligadas ao setor de consumo, como Natura e Souza Cruz, também são citadas como fontes de dividendos mais altos.

Por regra, as companhias devem distribuir pelo menos 25% do lucro apurado aos acionistas, mas as consideradas como "boas pagadoras" costumam compartilhar um porcentual maior. Almeida diz que uma empresa é considerada um alvo preferencial neste mercado quando distribui pelo menos 60% de seu lucro.

Os dados de pagamento de dividendos estão disponíveis no site da Bovespa, mas o pequeno investidor pode perguntar à sua corretora quanto foi o porcentual de distribuição (pay out) ou quanto o dividendo gerou de retorno (dividend yield) das empresas em que considera investir.

"Acho que as ações são indicadas para quem tem o foco no dividendo e não tanto no valor da ação", diz Alexandra, da Lerosa. No longo prazo, essas ações se tornam interessantes por garantir um fluxo contínuo de bonificação. A economista explica que geralmente o pagamento é feito nos meses de maio, agosto, setembro e dezembro. Mas também é possível montar uma carteira para investidores que queiram receber os dividendos mensalmente.

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