Investidores ganham até 45% com a alta dos títulos de inflação

Com a queda da taxa de juros, papeis do Tesouro Direto que garantiam maior rentabilidade passaram a valer mais

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

27 de dezembro de 2012 | 10h22

Os títulos de renda fixa atrelados à variação da inflação, de longe, foram o investimento mais rentável entre os investidores do Tesouro Direto. O preço subiu de 11,45% a 45,98% dependendo do tipo de papel e prazo de vencimento. Para 2013, especialistas continuam otimistas com o título, porque ele protege contra a perda do poder de consumo dos investidores e ainda deve ter algum ganho, ainda que bem menor do que o visto neste ano.

"Basicamente foi a queda queda da taxa de juros muito forte que fez os papeis de longo prazo indexados à inflação, as NTN-Bs, renderem mais que os demais, devido à marcação a mercado", diz o administrador de carteiras, Fabio Colombo. Com a queda dos juros, títulos comprados no passado que pagavam maior remuneração passam a valer mais.

Colombo conta que papeis que rendiam de 6% a 7% mais inflação do IPCA passaram a ter juro de 3% mais inflação. "Fundos tiveram ganhos na faixa de 20%, 25%, o que é muito forte para um fundo de renda fixa nos dias atuais", diz.

Ganhos como o visto neste ano, porém, não devem se repetir no curto prazo. "Novas altas como estas dependeriam de um movimento mais intenso de queda dos juros e trabalhamos com um cenário de estabilidade da Selic", diz o diretor de operações da corretora Petra, Ricardo Binelli. A taxa básica de juros (Selic) deve ficar no patamar atual de 7,25% ao ano até, pelo menos, o fim de 2013, de acordo com a última pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com a opinião de 100 analistas do mercado. Essa foi a sexta vez que a projeção foi mantida.

Vale à pena

Se houver queda do juro, esta será mínima e a alta dos preços dos papeis de inflação não deve ser significativo. Mesmo assim o investimento continua a ser indicado pelos especialistas, principalmente se o horizonte do investidor for o longo prazo.

"Se a expectativa de uma Selic sem variação se confirmar ao longo do ano, a princípio o investidor vai se proteger contra a inflação", diz o especialista em finanças Fábio Guelfi Pereira, autor do livro "Títulos Públicos sem Segredos". Ele acredita que além disso o preço dos títulos de inflação em geral tem uma margem para subir um pouco mais no curto prazo. Apesar de existirem títulos atrelados ao IGP-M e ao IPCA, atualmente é possível comprar somente os do segundo índice.

Binelli concorda em parte. Para ele, somente os títulos mais longos têm ainda alguma margem para subir, ainda que menos do que neste ano. "Temos dito para o cliente começar a pensar em outras classes de ativo. O Tesouro Direto tem vantagens em termos de segurança e liquidez, mas não em rentabilidade. Entendemos que os papeis com vencimento no curto prazo devem ser trocados por ativos, como fundos de gestão ativa", sugere. Em geral, a percepção é de que o investidor deve a partir de agora dissociar dentro da sua carteira a parcela que ele quer garantir para o futuro e aquela com a qual buscará ter maiores rentabilidades, seja na renda fixa ou variável.

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