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Mais da metade dos COEs renderam menos que a Selic no ano passado

Produto vem ganhando espaço entre os investidores, mas gestores alertam para sua complexidade

Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 05h00

Lançado há menos de cinco anos, o Certificado de Operações Estruturadas (COE) vem ganhando destaque nas prateleiras de bancos e das corretoras por oferecer a combinação entre a segurança da renda fixa e os ganhos da renda variável. Mas, se por um lado o novo produto atrai o investidor, por outro ainda não fez jus à fama obtida desde seu lançamento.

Segundo dados da B3, 54,23% dos COEs vencidos ou resgatados em 2017 tiveram desempenho inferior ao CDI (certificado de depósito interbancário, que tem variação muito semelhante à da taxa básica de juros, a Selic). Desse universo, 4,69% tiveram rentabilidade igual a zero.

O COE combina parte de seu caixa em renda fixa e outra, geralmente menor, em ativos de maior risco, como derivativos e até mesmo ações no exterior. O aporte inicial na maioria das corretoras é de R$ 5 mil, mas há algumas em que se pode aplicar R$ 1 mil. 

Um dos seus principais atrativos é oferecer proteção ao capital investido. Na pior das hipóteses, o investidor resgata o valor aplicado inicialmente. Por isso, soa como uma opção de baixo risco.

Para especialistas, com a queda da Selic, que bateu 14,25% ao ano em 2016 e está em 6,50% hoje, investidores passaram a diversificar a carteira de aplicações para potencializar seus rendimentos, e o COE ganhou espaço nessa equação. Em 2018, ele já teve crescimento de 22,8% no estoque total, somando R$ 15,345 bilhões.

Liquidez. O investimento, porém, é apontado por gestores como um produto complexo e que merece atenção do aplicador. O produto tem baixa liquidez e imobiliza o capital por períodos que variam de dois a sete anos. 

Para o gestor Dennis Kac, da Brainvest, mesmo oferecendo proteção ao capital, para fazer essa aplicação é preciso também levar em conta o custo de oportunidade, ou seja, o que você deixaria de ganhar em outras aplicações ao fazer um investimento. No caso do COE, como o capital fica imobilizado por períodos longos, pode haver perdas significativas no longo prazo. 

“Aplicando em renda fixa é possível conseguir rendimentos de cerca de 8,5% ao ano. Em três anos você poderá ter deixado de ganhar mais de 25% do capital investido”, diz Kac.

Ele também acredita que, por conta da complexidade do produto, é difícil que investidores comuns consigam analisar, sem ajuda de profissionais, se os riscos que correm ao investir são equivalentes à rentabilidade que podem obter.

Para João Pedro Araujo, gestor da HOA Asset, o alto custo de estruturação desses produtos é uma das principais causas do desempenho baixo. “As taxas giram de 4% a 10% na cabeça do produto”, diz Araujo. Ou seja, quem investiu R$ 100 mil pode pagar até R$ 10 mil em taxas para o gestor.

Alternativa. O gerente comercial da corretora Easynvest, Fabio Macedo, afirma porém que o COE pode ser uma alternativa interessante, especialmente para o público que deseja investir em ativos no exterior com poucos recursos, sem correr risco de comprometer o valor investido inicialmente. Segundo ele, 76% dos COEs liquidados na corretora tiveram rentabilidade superior ao CDI no ano passado.

O professor de finanças do Insper, Michael Viriato, faz um alerta para a diversidade que há entre os COEs e, por isso, recomenda olhar com cuidado o que está sendo oferecido dentro de cada produto.

“É um produto sensacional, que abre uma série de possibilidades ao investidor com menos recursos. Mas, é preciso saber separar os produtos bons dos ruins”, recomenda Viriato.

Emissões. As emissões de COE cresceram 22,8% em 2018, com estoque de R$ 15,345 bilhões. Em 2016, a maioria (36,9%) era atrelada ao câmbio. Já em 2017, com queda de inflação e juros, houve alta dos produtos atrelados aos índices internacionais – a participação saltou de 1,69% para 22,84% – e à cestas de ativos, como ações – que representaram 17,20%.

Parte da popularização dos COEs, além da busca do investidor por diversificar portfólio se deve a concorrência na comercialização dos produtos, que deixou de estar restrita aos bancos. Há cerca de um ano e meio, a distribuição foi liberada por terceiros, como corretoras. Os bancos estrangeiros também passaram a emitir produtos. Com isso, o COE está mais acessível – hoje, pode ser adquirido a partir de R$ 1 mil. Em 2017, as corretoras responderam pela venda de 35% das novas emissões. 

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