Daniel Teixeira/ AE
Daniel Teixeira/ AE

Material escolar pode custar uma mensalidade a mais

Levantamento indica grande variação de preços, principalmente emartigos de papelaria; saída é pesquisar e batalhar por descontos

Luciana Alvarez e Ana Bizzotto - O Estado de S.Paulo,

24 de janeiro de 2011 | 09h56

Comprar a lista completa de material escolar de muitos colégiosparticulares chega a custar para os pais o preço de uma mensalidadeextra, segundo levantamento feito pelo Estado.

Os livros costumam ser a parte mais cara da lista - variam de R$ 800 aR$ 1,1 mil para o último ano do ensino fundamental em escolas de SãoPaulo que cobram mensalidades na faixa de R$ 800 a R$ 2 mil. A parte depapelaria gira em torno dos R$ 250 se não forem escolhidas as marcasmais caras - apenas um fichário pode custar R$ 190; o preço de umcompasso varia de R$ 3 a R$ 59.

Em colégios do Rio, a situação não é diferente. O gerente do SenacVinicius Leite conta que gastou R$ 1,9 mil para cumprir a lista de seufilho, no 6.º ano do tradicional colégio São Bento. É o valor que pagade mensalidade. "Não questiono a necessidade. A questão é que precisocomprar, então as editoras põem o preço que quiserem", reclama Leite."Mesmo trabalhando em uma instituição de ensino não consigo descontos."

Em São Paulo, a dona de casa Jacqueline Lanfranchi, de 43 anos,procurou sebos na internet para gastar menos com a compra do material deseus filhos, no 3.° e 9.º ano do fundamental no Colégio FranciscanoNossa Senhora Aparecida. "No ano passado comprei tudo novo e gasteimais", diz Jacqueline.

Se não fosse sua "estratégia", gastaria mais de R$ 1,6 mil para omaterial dos dois, o que dá quase o preço das mensalidades somadas: R$1,9 mil. Ela conta que um livro de R$ 87 saiu por R$ 5 no sebo. "Omaterial de papelaria eu compro na Rua 25 de Março."

Apesar de ser um gasto esperado, Jacqueline considera que o materialpesa no orçamento da casa. "É um preço alto e ainda tem o uniforme. Cadacamiseta custa cerca de R$ 40, um moletom sai por R$ 80."

Ao comprar artigos para quatro de uma vez - seus três filhos e oenteado -, a empresária Viviane de Souza Santos diz conseguir bonsdescontos. Mas também pesquisa muito. Este ano, gastou R$ 590 para osquatro em material de papelaria. O preço teria sido quase o dobro nãofossem os descontos. "Ficaram faltando alguns itens que a loja nãotinha. Como eles foram juntos, acabei gastando um pouco mais porquedeixei comprarem algumas coisas que queriam", admite.

Na lista, a escola Renovação sugere algumas marcas, mas ela preferiucomprar de acordo com o gosto dos filhos. "Comprei algumas coisas queestavam com preço bom, como lápis de cor de personagem. Eles gostam dechegar no primeiro dia com material novo. Mas não comprei tudo que elesqueriam, expliquei que não tinha necessidade." Como os livros sãotabelados, ela deixa para comprá-los em uma livraria indicada pelaescola.

Qualidade

Além de fazer pesquisa de preço, os paistambém devem se preocupar com a segurança dos materiais. Segundo AlfredoLobo, diretor do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização eQualidade Industrial (Inmetro), mesmo produtos aparentemente inofensivospodem representar riscos. "Há produtos que, quando quebram, formampontas cortantes; alguns com substâncias que causam alergia emcrianças", cita o especialista. Tintas com metais pesados e certos tiposde plástico podem causar problemas neurológicos e câncer.De forma voluntária, alguns produtos escolares possuem o selo doInmetro, mas uma portaria de dezembro torna a certificação obrigatória.Com isso, canetas, apontadores, tintas, massinhas, estojos, pastas,mochilas precisarão ter o selo do para serem vendidos no mercadobrasileiro. Ficam de fora da lista livros e cadernos. O prazo para quetodos os materiais saiam das fábricas com a aprovação do Inmetro é de umano e meio. Os comerciantes terão mais dois anos para esgotarem seusestoques.

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