Mercado cria ferramentas para investidores sem tempo para aplicar

Além do Tesouro Direto, já é possível programar pela internet a compra de ações, de títulos de renda fixa como as LCIs e até carteiras completas

Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 05h00

Não ter tempo disponível para acompanhar o mercado financeiro diariamente não é mais desculpa para deixar de investir. De olho nesse perfil de investidor, as corretoras têm criado novas ferramentas nos home brokers - plataformas online nas quais é possível aplicar em ações, títulos públicos e outros ativos.

Há menos de um mês, a corretora Rico lançou o Alvo Programado, ferramenta na qual clientes deixam agendadas estratégias de curto prazo para o investimento em ações. Para o longo prazo, a casa criou o Investimento Programado, em que carteiras inteiras podem ser programadas. Na TOV, a novidade será em 2015: a corretora vai lançar no começo do ano a aplicação programada em Letras do Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs).

“As corretoras já desenvolveram muitas ferramentas para o trader, o investidor que opera todos os dias. Houve melhora nos gráficos e na estabilidade do home broker. Agora, o foco está em quem quer investir, mas, por ter uma rotina de trabalho e estudo, não consegue acompanhar a Bolsa”, diz o analista da Rico, André Moraes.

Desde outubro, a Rico resolveu divulgar estratégias para os investidores de ações. Aos domingos são selecionados papéis que devem gerar bons negócios no curto prazo. Em cada estratégia são apontados os pontos de entrada (o preço ideal para a aquisição) e de saída (a que preço deve-se vender o papel). O investidor pode escolher quais ações deseja investir e assim aceitar seguir a estratégia da corretora.

“A estratégia fica programada para os próximos dias. Quando a ação atingir o ponto de entrada é disparada a ordem de compra. O mesmo ocorre quando atinge o ponto de saída”, explica Moraes. Não é possível escolher o preço de compra e de venda, ou seja, se aceitar investir pelo Alvo Programado, o acionista segue exatamente a estratégia que a corretora elaborou. Não há custos extras para usar a ferramenta. Assim, só serão cobradas as taxas de corretagem de compra e venda da ação.

Confiança. Para ganhar a confiança do cliente, a Rico criou um compromisso: se a estratégia definida não gerar lucro para o investidor a taxa de corretagem é devolvida. “O comprometimento gera benefícios aos dois lados: a corretora mostra que a estratégia dá certo, ganha a corretagem e o investidor tem lucro”, diz Moraes.

Há mais de três anos, Moraes passou a desenvolver estratégias de curto prazo para a carteira dele. Aos domingos, realizava um chat com investidores interessados.

No começo participavam 20 pessoas, mas agora há dias em que mais de 700 internautas conversam. Após um tempo de maturação dos estudos, foi criada a ferramenta. Hoje em dia, mil clientes aplicam usando o Alvo Programado.

A programação mais comum no mercado acionário é o start (preço de compra) e o stop (preço de venda). O investidor estipula os preços de compra e venda para se proteger da volatilidade da Bolsa. Se ao longo dos pregões o papel escolhido cair até atingir o que foi estipulado no stop, uma ordem de venda é disparada, minimizando assim as perdas que poderiam ocorrer. Sem o stop, o investidor veria a queda de sua carteira após o pregão e conseguiria vender as ações só no dia seguinte.

Renda fixa. Além da programação do Tesouro Direto, criada em 2012, algumas corretoras oferecem a compra agendada de LCIs e LCAs - títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda para pessoa física. A aquisição, porém, não ocorre no home broker. O investidor transfere a quantia que quer aplicar (ou programa uma transferência automática no banco) e autoriza a corretora a realizar as compras todo mês.

Em 2015, a TOV quer facilitar o processo. Pelo home broker será possível agendar a aquisição das letras. “Na plataforma, haverá o banco emissor, as taxas de rentabilidade e a data de vencimento. Facilita a vida do investidor, pois ele não precisará pesquisar as taxas, iremos trabalhar com vários bancos”, diz o gerente comercial da TOV, João Victor Beck.

Voltado para o investimento no longo prazo, a Rico tem o Investimento Programado, no qual o investidor agenda uma carteira de ativos que quer comprar todo mês (50% em ações e 50% em títulos, por exemplo). A corretagem custa R$ 9,80 nas operações comuns e, na ferramenta, cai para R$ 0,50. Não há taxas de manutenção da conta e ou de custódia.

Para os fundos, não há uma ferramenta específica, diz o diretor administrativo da Ativa Corretora, Raul Meyer. “Se a pessoa quer investir todo mês pode fazer uma transferência automática e uma equipe de assessores faz o investimento sempre que o dinheiro cair na conta”, afirma.

Poupança forçada. As programações incentivam a poupança de longo prazo. “O cliente cria uma poupança forçada, pois antes de qualquer consumo ele tem de se pagar”, diz o especialista em investimento na InvestMobile, Cleiton Oliveira. Ele pontua que a programação é útil para quem não tem disciplina. “O ideal é que o investidor comece aplicando 10% da renda. Assim, com a programação, ele já sabe que poderá contar com 90% do salário para os gastos”, afirma.

Apesar dos benefícios do investimento programado, as ferramentas ainda são pouco usadas. “Na previdência o investidor está acostumado a ter tudo automático, mas no restante das aplicações ele ainda é conservador. Prefere ver o que vai sobrar no fim do mês”, diz Meyer.

O agendamento movimentou 3% do total de operações do Tesouro Direto em setembro. “Muitas pessoas consultam o gerente do banco, mas por ele ter de bater metas de venda, nem sempre oferece todas as possibilidades do mercado”, diz Oliveira.

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