Jeenah Moon/The New York Times
Jeenah Moon/The New York Times

Merrill Lynch faz guia para ensinar ricos como gastar

Orientações, que foram pensadas para os clientes mais abastados, podem ajudar quem tem orçamento apertado

Paul Sullivan, The New York Times

28 de janeiro de 2019 | 05h00

Se você está preocupado com suas faturas de cartão de crédito por causa do fim de ano, não está sozinho: mesmo os americanos mais ricos estão preocupados com seus gastos. Um documento que circula entre o setor de private banking e o grupo de investimento do Merrill Lynch, que será lançado nos próximos meses, é um guia que visa a ajudar o orçamento de clientes ricos do Merrill, e todas as outras pessoas.

Chamado “Considerações para a tomada de decisões em relação às despesas”, ele foi desenvolvido depois que um cliente rico manifestou suas preocupações.

“Dado seu patrimônio líquido, fluxo de caixa e base de ativos, ele poderia mais do que se permitir férias”, disse Valerie Galinskaya, diretora do Centro para Dinâmica e Governança da Riqueza Familiar do grupo de investimentos do Merrill.

Não era uma questão do que eu posso pagar, mas como eu deveria gastar?”, disse Valerie. “Qual é a quantia certa para gastar e como você comunica isso à família? Nosso objetivo é tornar o processo interativo e fortalecedor.”

Um cético perguntaria como um bilionário poderia ter problemas financeiros. A resposta é que provavelmente não é possível dissipar uma fortuna por gastos excessivos em bugigangas.

Mas, disse Stacy Allred, diretora administrativa do grupo, essa provavelmente não é a melhor maneira de encarar a situação. “Não é só porque você pode que você deveria” gastar livremente, afirmou.

O medo, afinal, sustenta as preocupações em torno dos gastos. As pessoas que ganharam o dinheiro se preocupam com o fato de que as gerações subsequentes possam esbanjá-lo. O guia propõe estruturas para analisar gastos que também podem ser aplicadas aos não tão ricos.

O texto define os tipos de gastos: despesas de estilo de vida, como viagens, carros e vinho; presentes financeiros a amigos e familiares; contribuições de caridade; e impostos. Ele analisa não só as compras por impulso, mas todos os gastos, voluntários ou involuntários: as grandes despesas, como a hipoteca da casa e seguro, e os custos não tão regulares, como manutenção, reparos e reformas.

De certa forma, os planos de gastos descritos poderiam ser comparados a uma dieta. Eles traçam um plano mais viável, com explicações sobre as consequências dos lanchinhos noturnos. “O que estamos tentando fazer é ajudar as famílias a tomar decisões conscientes”, disse Stacy. “É muito importante que haja algum rigor em torno disso.”

Os gastos influenciam a quantidade de riqueza que alguém tem. Isso parece óbvio, mas para tornar as consequências aparentes, o guia pede que as pessoas pensem sobre o que querem que aconteça com o dinheiro que acumularam.

Existem só quatro opções: gastá-lo, mantê-lo no nível atual, preservar seu poder de compra mantendo seu valor de acordo com a inflação ou investi-lo para que aumente o máximo possível.

Segundo Stacy, a riqueza sempre em crescimento, enquanto se gasta pesadamente, é difícil sem que haja fontes adicionais de renda. Se uma carteira cresce 5% ao ano, por exemplo, mas a inflação é de 3% e os impostos são 2%, não há muito espaço para gastar se quiser que o patrimônio líquido cresça.

Uma das técnicas recomendadas na hora de decidir por uma compra é a chamada “visão retrospectiva prospectiva”, que leva as pessoas a imaginar como elas se sentiriam se a ação fosse positiva versus como elas se sentiriam se o mesmo ato tivesse consequências negativas.

“Tendemos a ser excessivamente otimistas e sofrer de viés de confirmação”, um termo da economia comportamental que significa que tendemos a acreditar mais no que acontece, se corresponder a uma crença anterior, explicou Stacy.

Discussões sobre gastos certamente surgirão. Estabelecer diretrizes sobre como as pessoas de uma família podem gastar dinheiro pode evitar que as consequências se transformem em recriminações. “Decidir como decidir é importante”, disse Valerie. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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