André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mesmo com queda do juro, investidor pode ter o maior ganho real em 10 anos

Cálculo de corretora mostra que, descontada a inflação, a taxa de juros será de 6,67% este ano

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2017 | 17h30

SÃO PAULO - Quem tem investimentos com retornos atrelados à taxa de juros, a Selic, pode ter um ganho real de 6,67%, o maior dos últimos 10 anos, segundo cálculo da corretora Rico. Mesmo com o ciclo de queda na Selic, que foi reduzida para 13% ao ano na semana passada, a queda da inflação mantém um retorno alto nesses investimentos, explica o analista da Rico, Roberto Indech.

O cálculo da corretora é feito por uma fórmula matemática complexa, mas o ganho aproximado também pode ser obtido de forma simples se descontarmos a inflação medida pelo IPCA da taxa de juros do período. A mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2017 é de 4,81%, segundo o Relatório de Mercado Focus, do Banco Central. Já a Selic média de 2017 está em 11,08% ao ano, segundo o mesmo documento. Se fizermos o cálculo simples, teríamos um ganho aproximado de 6,27%. 

Com este cenário, Indech, afirma que 2017 será um bom ano não só para o Tesouro, mas para os investimentos em renda fixa em geral, que tem como referência a Taxa DI, muito próxima a Selic. 

 

 

Indech recomenda, além do Tesouro Selic, títulos prefixados, onde a taxa de juros é fixa. No longo prazo, a recomendação é o Tesouro IPCA, atrelado à inflação, que paga um juro fixo conhecido já no momento da compra mais variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com o ciclo de queda na taxa de juros, o Tesouro Selic no longo prazo não é uma boa opção. 

Arnaldo Curvello, diretor da corretora Ativa, tem uma expectativa menos otimista e acredita que quem entrar na renda fixa este ano vai pegar o fim da festa, já que a inflação pode ter uma queda considerável e pressionar ainda mais o corte de juros, o que vai, consequentemente, reduzir um pouco mais o retorno desses investimentos. 

Curvello não nega que esses títulos são bons investimentos, mas aconselha fundos imobiliários e o mercado de debêntures, um título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor. “O investidor não olha muito essas opções, mas tem riscos interessantes e taxas que ainda não sentiram esse efeito dos juros na economia”, explica. 

No longo prazo, Alexsander Queiroz, da Aware Investments, recomenda uma postura bastante cautelosa já que as taxas podem ser mais altas. “Não sou entusiasta de posições prefixadas longas (depois de 2020), nem de posições em papeis longos indexados ao IPCA”. 

Alexsander montou três carteiras para quem quer investir em títulos: 

 

 
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