Minicontratos de dólar e Ibovespa batem recorde

Baixo custo e disposição ao risco explicam aumento de negociação; pequeno investidor deve ter cautela

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2016 | 05h00

A tentativa de prever para onde irá a cotação do dólar ou como vai se comportar o Ibovespa, principal índice da Bolsa, está se popularizando por meio dos chamados minicontratos. Com eles, o investidor pode aplicar apenas uma fração do mínimo exigido para testar as emoções do mercado futuro da Bolsa.

Em outubro, o “mini dólar” alcançou 8,8 milhões de contratos negociados, um salto de 46 vezes ante o mesmo mês de 2011. O “mini índice” Bovespa fechou o mês passado com 14,6 milhões de contratos, um aumento de 415% em relação ao mesmo período de cinco anos atrás.

A dinâmica do “mini dólar”, por exemplo, funciona com um lado apostando na alta da moeda e o outro, na baixa. Quem se der melhor, ganha a variação cambial do período. É a mesma regra geral do mercado futuro.

Por exemplo: o investidor ganha se comprou um cenário em que o ativo ficaria cotado a cinco e hoje vale 10. De maneira oposta, ele perde se o ativo ficar abaixo de cinco.

No caso do dólar, o produto tem como principal função ajudar aqueles que realizam operações atreladas à moeda norte-americana, como dívidas, e precisam se proteger das oscilações.

Operar o mini-dólar, contudo, exige um perfil mais sofisticado de investidor porque o mercado pode ser chacoalhado pelas intervenções do Banco Central e pela agenda econômica internacional.

“Em um dia com notícias sobre Federal Reserve (o BC dos EUA) ou taxa de desemprego norte-americana (payroll), eu digo para os iniciantes ficarem mais na ‘sombra’, porque é um dia com emoção”, explica Leandro Martins, analista da corretora Rico.

Raony Rossetti, chefe de renda variável no varejo da XP Investimentos, reforça o perfil mais especulador de boa parte de quem opera esses produtos, associado ao lucro rápido e a operação de entrada e saída no mercado em um mesmo dia (day trade). “Esse investidor nunca vira de um dia pro outro numa mesma posição.”

Rossetti explica que o aumento na procura pelos minicontratos tem acompanhado a grande movimentação que ocorre no mercado financeiro brasileiro neste ano. Além disso, o investidor vê esses produtos com bons olhos por causa do baixo custo operacional e da alta liquidez, que é a facilidade de converter o ativo em dinheiro.

“Se comparar o número de clientes que operavam na corretora um ano atrás, aumentou 400% nos últimos 12 meses”, afirma Rossetti.

Cenário externo. Olhando para fora, as eleições americanas deram o norte mais recente para as movimentações, explica Samuel Torres, da Spinelli Corretora. No dia 10 de novembro, um dia após Donald Trump ser eleito, o minicontrato futuro de dólar obteve os recordes de 394.805 negócios e 988.199 contratos.

No mercado interno, as mudanças recentes no ambiente político e econômico foram responsáveis pelo aumento do volume de negociação desses produtos. Neste cenário, o investidor brasileiro ficou mais propenso a correr riscos.

O minicontrato Ibovespa é como uma cesta com as ações mais negociadas do dia. É um produto que, apesar de trazer riscos, “protege o pequeno investidor de manipulações”. “Se um investidor grande fizer uma operação na ação da Vale, por exemplo, que afete muito o preço, quem tem mini índice não vai sentir tanto essa variação”, explica Martins, da corretora Rico.

Outra vantagem é obter, por meio de uma única operação, ações com grande negociação sem precisar negociar individualmente no mercado à vista, explica André Demarco, diretor de engenharia de produtos, serviços e educação da BM&FBovespa.

Hoje, é possível operar esses produtos com uma taxa de garantia de R$ 80 para minicontrato Ibovespa e R$ 150 para minicontrato de dólar na Rico. Essa taxa fica na conta que o investidor possui na corretora como uma margem de garantia.

Na XP Investimentos, o preço da taxa de garantia é de R$ 80 tanto para o dólar como para o Ibovespa.

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