Infográfico/Estadão
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Moeda americana começa 2015 com viés de alta

Mudanças no cenário externo têm potencial para elevar cotação, mas alta da Selic pode amenizar movimento

Hugo Passarelli, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 08h46

O dólar viveu duas realidades opostas em 2014. No primeiro semestre, foi a aplicação com pior desempenho. Mas, na segunda metade do ano, a corrida presidencial, incertezas com a nova equipe econômica e até a então inesperada turbulência russa fizeram a moeda superar R$ 2,65. 

Neste ano também não faltam motivos para bagunçar o sobe e desce da divisa. Diante de um cenário externo desafiador, analistas preveem que há espaço para uma valorização ainda maior do dólar ante o real. A pesquisa Focus, do Banco Central, projeta o câmbio a R$ 2,80 em 2015.

Períodos como esse costumam trazer à tona investimentos da “moda”, a exemplo dos fundos cambiais, conta o administrador de investimentos Fabio Colombo. O produto tem rendimento atrelado à variação de uma moeda, como dólar e euro. 

Nos últimos 12 meses até novembro, a rentabilidade dos fundos cambiais foi de 10,4%, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Mas antes de apostar as fichas na aplicação, Colombo recomenda cautela. “Os fundos cambiais não são indicados para o curto prazo. Não é um bom negócio para quem precisa de dólar para viajar, além de exigir investimento inicial alto”, alerta Colombo.

Outra desvantagem para quem pensa só em embolsar lucro em pouco tempo com fundos atrelados a uma moeda é a cobrança de Imposto de Renda. A alíquota é regressiva - quanto mais cedo resgatar a aplicação, mais o investidor terá de deixar nas mãos do Fisco. 

Em 2014, a virada na cotação da moeda no segundo semestre pegou em cheio quem não se planejou, como mostra a simulação acima. Um consumidor que planejava levar US$ 2,5 mil em uma viagem ao exterior em dezembro pode ter desembolsado até 14,6% mais se não programou compras graduais da divisa.

“Olhando para trás, é fácil dizer que o melhor momento de compra da moeda neste caso foi agosto. O importante é sempre estar atento ao noticiário e montar uma estratégia”, diz Andreas Weimer, vice-presidente executivo da Confidence.

A perspectiva de alta da moeda americana torna ainda mais imprescindível planejar todos os passos rumo ao destino estrangeiro. “Há uma tendência de alta do dólar em 2015 mais em função dos movimentos no exterior do que no Brasil”, diz Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências, que projeta o dólar a R$ 2,79 em 2015. 

Entre os fatores externos está a alta dos juros nos Estados Unidos, tida como certa pelo mercado. A mudança na política monetária americana atrairá investimentos de volta para o país, reduzindo o fluxo de dólares nos mercados emergentes.

Por outro lado, Pedro Rossi, professor da Unicamp, lembra que também há a expectativa de alta da taxa de juros brasileira, hoje em 11,75% - o que deve ajudar a conter o ímpeto do dólar ao reter parte do capital no País.

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