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Momento de crise exige mudanças de atitude nas finanças

O momento exige uma série de mudanças de atitude. A primeira atitude é ter calma, distinguindo perda econômica da perda financeira que ocorre quando realizamos os prejuízos

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2020 | 05h00

Muitas pessoas estão vendo as suas poupanças serem dizimadas. Quem tem dinheiro na Bolsa de Valores, por exemplo, verifica perdas econômicas enormes neste momento. O Ibovespa (o principal índice da B3, a Bolsa paulista) acumula neste ano perdas próximas a 40%. 

Pior situação vivem aqueles investidores que estavam alavancados por estarem expostos ao mercado de derivativos e foram chamados a depositar na conta margem um caminhão de dinheiro. Há muito desespero e até rumores de suicídios por causa dessas perdas e da falta de perspectivas futuras. Obviamente, esse comportamento não é a solução.

O momento exige uma série de mudanças de atitude. A primeira atitude é ter calma, distinguindo perda econômica da perda financeira que ocorre quando realizamos os prejuízos. Em segundo lugar, devemos controlar ainda mais nossas finanças. Pratique a base das finanças pessoais: Planejamento, Dedicação e Conhecimento. 

Planejamento significa organizar melhor as suas entradas de dinheiro e todas as suas despesas. Dá um certo trabalho, mas os resultados sempre são compensadores. Dedicação é ser firme na execução de seu planejamento. E, quanto maior o conhecimento adquirido em finanças pessoais, maior será o poder de soluções criativas para sair da crise. 

Uma dica para o investidor conseguir planejar melhor é organizar as suas despesas nos grupos A, B, C e D. No grupo A, de alimentar, planeje rigidamente os seus gastos com alimentação. No B, coloque aquelas contas indispensáveis, como plano de saúde. No C, de contornável, ponha aqueles gastos que facilitam nossa vida, mas que, na emergência, podem ser cortados. E na D, de desnecessário, entram atitudes como manter vários cartões de crédito.

Nós devemos ter compreensão de que ter um alto grau de bem-estar não é ter riqueza pessoal. Muitas pessoas muito ricas não se sentem felizes. Viver bem é saber viver com os recursos que estão à disposição. Viver como planejamos é que nos leva a alto nível de bem-estar. Independentemente de quanto dinheiro temos, somos infelizes quando vivemos pelas nossas expectativas e não aceitamos a nossa realidade.

Lançando mão do filósofo e escritor Alain de Botton, quando cita Rousseau, que diz que “A riqueza não é algo absoluto. É relativa ao desejo. Cada vez que queremos alguma coisa que não podemos pagar, nos tornamos mais pobres, quaisquer que sejam os nossos recursos. E cada vez que nos satisfazemos com o que temos, podemos ser considerados riscos, embora pouco tenhamos na realidade.”

Essa crise ainda vai ensinar muitas coisas para nós. A mais importante é o valor da vida!

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