Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Multimercados são opção para aproveitar alta do dólar

Fundos podem aplicar parte da carteira em moedas e em ativos no exterior e, assim, proteger o investidor, afirmam especialistas

Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2015 | 06h00

SÃO PAULO - A alta de quase 50% do dólar ao longo de 2015 assustou quem tinha viagem marcada ao exterior e alegrou aqueles que apostaram certo e conseguiram aproveitar a escalada da moeda. Neste segundo grupo estão os investidores dos fundos multimercados, que, assim como os cambiais, figuraram entre os de maiores ganhos.

“Os multimercados se beneficiam de movimentos direcionais, como o que ocorreu com o câmbio. Os gestores atentos apostaram no dólar neste ano”, diz o diretor da Claritas Investimentos Ernesto Leme.

Para 2016, a tendência da moeda americana ainda é de valorização. “O dólar deve continuar subindo no próximo ano, mas não na intensidade que vimos em 2015”, avalia o superintendente de estratégia de mercado da Bradesco Asset Management, Carlos Rocha.

A volatilidade deve voltar a ser o nome do jogo e, por conta disso, os multimercados figuram entre as apostas dos gestores. “Os multimercados, em especial os macros, têm quase uma responsabilidade de tirar proveito dos movimentos, seja ele em taxas de juros ou em câmbio. Uma forma de você se proteger da alta do dólar seria por meio desses fundos”, afirma Eduardo Levy, gestor da Rio Bravo Investimentos. 

Além de investir em moedas, tal categoria de fundos pode alocar parte da carteira em ativos no exterior e, assim, ficar atrelada à variação cambial. Pela instrução 555 recentemente publicada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), subiu para 20% o limite que os fundos de varejo podem aplicar no exterior. No caso de investidores qualificados, que têm ao menos R$ 1 milhão em ativos, esse porcentual sobe para 40%. 

“Quando compra ações de uma bolsa no exterior, você fica exposto à moeda do país. O gestor pode decidir usar um derivativo para eliminar essa exposição à moeda, mas geralmente não é o que ocorre, ele não faz o hedge dessa posição”, comenta Rocha. 

Já os fundos cambiais protegem contra oscilações bruscas da moeda, mas são considerados arriscados. Pelo menos 80% da carteira deve estar em ativos relacionados ao euro ou dólar. Por isso, são indicados apenas para quem já possui uma carteira diversificada em outros produtos.

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