Não há limites para a decoração de Natal

Para quem não tem muito dinheiro, criatividade é a melhor solução

Fabiana Pires e Hugo Passarelli, do Economia & Negócios,

16 de dezembro de 2011 | 09h10

Com um investimento de R$ 8 mil, Leonice Figueira Lovo espera que sua loja vença o concurso de decoração natalina da cidade de Palmas, no Paraná. Com orgulho, ela conta sobre sua aquisição mais valiosa para esta edição da competição, uma árvore de Natal artesanal feita de cipó, comprada por R$ 800. O prêmio para o primeiro colocado da competição é a isenção de 100% do IPTU de 2012.

Decoradora de uma loja de madeira de demolição, Leonice utilizou os próprios móveis que vende - alguns de até 60 anos - para ajudar na decoração. Apesar disso, o investimento ainda foi alto. "Eu comprei também enfeites para o jardim, como uma bicicleta e um carrinho de mão", conta. "Ficou parecendo casa de avó", explica. 

Mas há também quem gaste menos e, mesmo assim, consiga chamar a atenção das pessoas na época de Natal. É o caso do ferroviário aposentado Márcio Pereira Bento, o tio Márcio, de 69 anos, que participa há quatro anos da disputa de melhor casa decorada do Rio de Janeiro. Ele já levou um primeiro lugar, em 2008, e dois segundos lugares, em 2009 e no ano passado. Neste ano, ele estima que o gasto ficou em torno de R$ 1,5 mil. "O mais caro é a parte elétrica", conta.

Adepto da prática há mais de 20 anos, Márcio decidiu entrar no concurso da capital fluminense após a insistência dos familiares. Ele conta que já possui um bom estoque de enfeites natalinos na manga e os reaproveita de uma maneira ou de outra todos os anos. Além disso, faz muita reciclagem, como as luminárias que confecciona a partir de garrafas pet. "Eu vejo uma cadeira de balanço na rua, por exemplo, e já penso que ficará legal na minha decoração, então vou lá e pego", diz.

Outro segredo na hora de segurar os gastos é o planejamento. Com antecedência, é possível garimpar coisas úteis com bons preços ao longo do ano. "Decoração grande é como escola de samba, eu já sei o que vou fazer no ano que vem", diz.

Dois quilos de cola quente e cinquenta metros de acrilon (tecido que imita neve). Esses são apenas alguns exemplos do que a artesã carioca Rosa Maria Galhano Baptista, 60 anos, gastou neste ano para enfeitar sua casa. A porta de sua residência, por exemplo, virou uma grande caixa de presentes. É comum, ela conta, que a curiosidade das pessoas gere um pequeno trânsito em sua rua.

Ela não revela quanto desembolsa para enfeitar o lar. Diz apenas que é um "gasto muito alto" e que varia de ano a ano. O empenho da artesã já rendeu o prêmio de casa mais bem enfeitada do Rio de Janeiro no ano passado e um terceiro lugar em 2009.

Decoração para a família

Helena de Oliveira não participa de concursos de decoração para o Natal. Seu capricho em enfeitar cada cantinho da casa com Papais Noéis e luzes pisca-pisca vem de muito tempo, uma tradição herdada de sua mãe, dona Augusta, falecida em 2007, e de seu pai, o senhor Antero. Este será o primeiro Natal que a família passará sem ele, que faleceu no início deste ano, e o objetivo de Helena é tentar manter a casa alegre como em todos os anos anteriores. "A primeira coisa que ele fazia ao chegar em casa era acender as luzinhas da árvore", lembra. 

Helena estima ter gastado cerca de R$ 1 mil com a decoração deste Natal. No sobrado da família Oliveira, foram utilizados até 6 mil luzes para enfeitar a árvore e a parte de fora da casa. São mais de 30 metros de iluminação. Só Papais Noéis, são 30. "Tem o que anda de skate, o que abraça, o que sapateia, o que anda pela casa como um velhinho, o do trenzinho...", enumera. Tudo isso sem contar os que decoram a árvore e as velas que têm o formato do bom velhinho.

Já a decoração de Natal na casa de Bianca Araujo é feita especialmente para o seu filho Bruno, de 5 anos. Foi quando ele nasceu que a advogada começou a se preocupar em enfeitar o apartamento para a data. O presépio é da marca de brinquedos infantis Fisher Price e a árvore - decorada este ano pela primeira vez com a ajuda do Bruno - é repleta de enfeites da Disney. 

Da tampa do vaso sanitário até a luva de forno da cozinha, nada fica sem um enfeita natalino na casa de Bianca. Assim como Helena, o hábito veio de família, mais especificamente da mãe, Franca Araujo. Uma das apostas de mãe e filha para a decoração da festa é comprar grande parte da decoração no exterior. "Nos Estados Unidos, tem muito mais coisas para escolher", conta ela. A advogada acredita ter gastado de R$ 700 a R$ 1 mil nos enfeites deste ano.

Árvore a la carte

Uma opção para quem não tem o costume, tempo ou simplesmente não leva jeito para montar a sua própria árvore de Natal é contratar serviços especializados. A rede de lojas Cecilia Dale, por exemplo, envia uma equipe de até quatro funcionários às residências para decorar as árvores e deixá-las idênticas às da loja. 

O serviço custa de R$ 850 a R$ 2,9 mil, dependendo do tamanho da árvore, que precisa ter sido comprada na loja. Marina Rovery comprou a sua há dois anos e este ano contratou os serviços disponibilizados pela companhia. "Não costumo decorar muito o resto da casa, porque acho que a árvore já é suficiente".

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