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Não se pode ficar sempre preso na ‘roda do hamster’

A aposentadoria pública não responderá isoladamente pela renda dos aposentados e é importante pensar em rendimentos secundários; ganhar e gastar tudo não gera nada para o futuro

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 04h00

Estou preocupado com toda essa discussão sobre a Previdência. Ainda mais quando vejo os juros para aplicações menores. Como pensar em aposentadoria com tudo isso?

Planejando mais firmemente a sua vida financeira e buscando investir de maneira mais objetiva. O quadro geral é esse mesmo e está deixando muitos preocupados com o seu próprio futuro. Um primeiro entendimento é que a aposentadoria pública não responderá isoladamente pela nossa renda de aposentados, outra observação é que investir num ambiente de taxas de juros mais baixas não significa que não seja possível ter ganhos reais. Para ajudar nessa preparação, faça a si mesmo algumas perguntas fundamentais. Você está aproveitando ao máximo o seu potencial de ganhos? Se você não tiver renda, não tem como guardar nada. Nesse aspecto é importante pensar em renda secundária. Você está economizando o suficiente de sua renda? Nós não podemos ficar na “roda de hamster”. Ganhar e gastar tudo não gera nada para o futuro. Quanto mais e por mais tempo gerarmos economias melhor será o nosso futuro. E tenha certeza que todos precisamos de uma boa cobertura quando estivermos mais velhos. Você sabe investir corretamente, considerando risco e retorno de seus investimentos? Taxas mais baixas levam que para mais ganhos teremos que considerar ativos com mais riscos e isto exige mais cuidado para poder diversificar a carteira de maneira correta. Outra pergunta que ganha peso: você está administrando riscos? De maneira ampla você deve pensar em situações como perda de emprego, questões de saúde, moradia. Nesse cenário, pense em formas de proteção, como comprar apólices de seguros. Procure se fazer constantemente essas perguntas e mantenha atualizado o seu planejamento financeiro.

O que é o chamado Novo Mercado? Vale a pena investir nessas ações?

O Novo Mercado é um segmento da B3 destinado a negociação de ações das empresas com um padrão de governança corporativa altamente diferenciado dentre as companhias listadas na Bolsa. Esse segmento foi lançado em 2002 e é dedicado a companhias com padrão de transparência adicional ao que é exigido pela legislação brasileira. Possuir alto grau de governança corporativa significa adotar um conjunto de regras societárias relacionadas aos direitos dos acionistas, divulgação de politicas e existência de fiscalização e controles. Nesse segmento de mercado há três níveis: Nível 1, Nível 2, e o Novo Mercado. Os dois primeiros são chamados de níveis diferenciados de governança e foram criados para que as empresas se prepararem para aderir ao Novo Mercado. Tecnicamente, há a redução de assimetria informacional entre a empresa e o mercado, assim o nível de risco é reduzido. Algumas dessas regras são: 100% de ações ordinárias com direito a voto, cláusula de tag along de 100%; auditoria interna, conselho de administração com no mínimo dois ou 20% de conselheiros independentes, o que for maior, com mandato de dois anos. Investir em ações desse segmento é algo interessante justamente pelo seu nível de transparência. Lançando mão de uma análise simples, na comparação da evolução dos índices de mercado no período entre 2006 e 2019, o Ibovespa teve uma taxa média de variação de 6,8% ao ano. No caso do Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), essa taxa é de 8,2% ao ano, enquanto o no IGC – Novo Mercado essa taxa é de 8,8% ao ano.

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