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Nos investimentos, é preciso mais mulheres

Esse ambiente deveria buscar um equilíbrio maior quanto à participação dos gêneros

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2018 | 05h00

Há alguns artigos destacando que homens são mais propensos a risco que mulheres. Isso é cientifico ou só opinião?

Hoje temos muitos estudos bastante consistentes indicando que os homens são mais propensos a realizar investimentos de alto risco que as mulheres. Vou evitar nesta coluna a menção dos autores que se dedicam a esse tipo de estudo, mas há diversos e interessantes artigos acadêmicos levando a essa conclusão. Algumas dessas pesquisa fizeram testes hormonais em operadores de mercado financeiro antes e após pregões e operações de relevância e verificaram que o nível de testosterona influencia a decisão, levando a operações de maior grau de risco. A conclusão é que os homens são mais agressivos na hora de investir. Há estudos de John Coates, da Universidade de Cambridge, associando o comportamento irracional das bolhas financeiras à jovens do sexo masculino porque investem buscando lucros milionários em pouco tempo. Há especulação sobre a onda de investimento em bitcoins, que pode ser um mercado mais dominado por homens. Há também questionamentos sobre a avaliação precária de riscos no segmento financeiro e de tecnologia por estar dominado por pessoas do sexo masculino. Há pesquisas mostrando que a participação feminina no mercado financeiro norte-americano não chega a 10% – e um número menor ainda em cargos de liderança. Toda essa discussão tem levado à conclusão de que esse ambiente de investimento deveria buscar um equilíbrio maior quanto à participação dos gêneros. A maior participação das mulheres levaria a decisões mais acertadas no longo prazo. Isso porque o sexo feminino é mais ponderado, pensa mais no momento de decisão, avalia riscos com maior cuidado. Este é mais um ponto interessante para a discussão madura sobre o equilíbrio na relação entre gêneros e na direção de não haver diferenças salariais entre homens e mulheres.

Com relação à coluna publicada em 10/09, peço uma orientação. No exemplo citado, investindo em LCI com taxa de 85% do CDI, a rentabilidade simulada seria de 6,73% ao ano. Pergunto: neste caso, o valor mensal do CDI deveria ser de aproximadamente 0,66%? (O CDI de agosto foi de 0,57%).

Os cálculos não são exatamente esses. A taxa mensal equivalente a 6,73% ao ano é, na verdade, 0,5442% ao mês. Em outros termos, taxas equivalentes são aquelas que, aplicadas sobre um mesmo capital, resultam no mesmo montante final. Isso quer dizer que, se aplicar R$ 1 mil por um ano à taxa de 6,73%, o resultado final será R$ 1.067,30. Da mesma forma se fizer os cálculos com 0,5442% ao mês por 12 meses, o valor final será o mesmo – considerando regime de capitalização composta, juros sobre juros. Por outro lado, precisamos entender melhor a discussão na coluna anterior. Ali, foi apresentada uma simulação retirada do site do Tesouro Direto. Como trata-se de simulação, são consideradas projeções sobre o comportamento de juros que podem não se realizar – servem apenas de exemplificação. Para permitir uma observação mais detalhada dessas projeções, eu repeti a simulação com dados desta semana. Ao investir R$ 1 mil em uma LCI com rendimento de 85% do CDI e prazo de vencimento em março de 2023, o rendimento líquido projetado seria de 6,61% ao ano – isso porque, nessa aplicação, não há custos ou Imposto de Renda. Aplicando-se no Tesouro Selic com o mesmo prazo, o rendimento bruto seria de 7,84% ao ano. Já com custos de R$ 23,37 e IR de R$ 59,63, teria um rendimento de 6,29% ao ano.

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