Novas BDRs da Bolsa trazem mais setores para o Brasil

Recibos de ações de empresas norte-americanas devem começar a ser negociadas no segundo semestre

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

18 de maio de 2010 | 15h42

A globalização chegou mais forte à Bolsa. É assim que especialistas têm definido a vinda de dez empresas norte-americanas para o mercado de balcão da BM&F Bovespa no segundo semestre. Para as empresas, uma maneira de gerar ainda mais liquidez a suas ações. Para os investidores, uma oportunidade de diversificar a carteira.

 

"Há um claro aumento no leque de investimentos disponíveis", diz o economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira. A própria Bolsa confirmou a intenção no lançamento dos novos papéis. "A BM&F Bovespa tem como objetivo oferecer ao mercado novas alternativas de investimento", disse em nota. O início das negociações dos papéis, chamados de Brazilian Depositary Receipt (BDRs) por serem recibos das ações negociadas nos EUA, está previsto para o início do segundo semestre.

Para especialistas, há duas vantagens nas novas BDRs da Bolsa. A primeira é a possibilidade de arbitrar entre o mercado brasileiro e o americano. Como o mercado brasileiro já se valorizou bastante no ano passado e parte do mercado acredita que agora é a vez das outras economias se recuperarem mais fortemente, o investimento em empresas dos EUA podem ser uma boa oportunidade.

"Também é algo positivo porque há setores em que o Brasil tem certa carência de empresas, como tecnologia", exemplifica o economista da Win Trade, José Góes, ao lembrar das ações do Google e da Apple. Além das duas gigantes norte-americanas, serão negociadas as ações do Bank of America Corporation, ArcelorMittal, Goldman Sachs, Billiton Limited Common, Wal-Mart Stores, Exxon Mobil Corporation, McDonald's e Pfizer. "É uma alternativa para diversificar a carteira", diz.

Para Góes, o setor de tecnologia e a ArcelorMittal são as empresas que mais chamam a atenção. "Os bancos ainda passam por dificuldades."

Mas, alerta o economista-chefe da Ágora, Álvaro Bandeira, não é porque são opções de diversificação que o investidor deve logo aplicar nessas empresas. "Ele deve observar os múltiplos das companhias", diz. Entre os indicadores relevantes, Bandeira cita o Preço/Lucro (P/L), Preço/ Valor Patrimonial/ Enterprise Value/ Ebitda, fluxo de caixa, além do próprio preço-alvo. Veja a seguir o P/L das dez empresas norte-americanas. O indicador mostra o tempo, em ano, para o investidor reaver o valor da aplicação de acordo com lucro que a empresa tem gerado.

Riscos

Além dos riscos comuns aos investimentos em renda variável, como o de volatilidade, a aplicação em BDRs também traz outras dificuldades. Segundo especialistas, a análise desses papéis pode ser um pouco mais trabalhosa, uma vez que as informações sobre as empresas devem ser buscadas em publicações internacionais, em inglês.

Em um primeiro momento, as corretoras não irão cobrir estas ações, até porque os investidores pessoa física não poderão comprar diretamente estes papéis (veja a matéria sobre o assunto). "Com o tempo, porém, se elas ganharem liquidez, os especialistas vão correr atrás para acompanhar as ações", diz o analista da corretora SLW, Pedro Galdi.

O investimento em BDRs também é complexo por sempre trazer riscos maiores quanto à governança coorporativa. As empresas em sua maioria não seguem os padrões tão rígidos de governança exigidos nos três níveis de classificação da Bovespa. "No caso destas companhias, no entanto, não acredito que isso será um problema. Todas são grandes empresas, blue chips", diz Góes.

Tudo o que sabemos sobre:
BDRaçõesofertainvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.