Sérgio Moraes/Reuters
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O investidor em 2016: ter sangue frio é pré-requisito

Muitos podem pensar: já que as coisas estão ruins, chegamos ao fundo do poço e a tendência agora é melhorar. Mas as coisas não funcionam assim

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2015 | 06h00

As previsões para 2016 estão cada vez mais pessimistas. Os ambientes político e econômico estão muito ruins e o cenário não é nada promissor: dólar nas alturas, Bolsa em baixa, juro subindo, declínio do PIB, investimentos em queda e preço das commodities caindo. 

O fato é que muitos podem pensar: já que as coisas estão ruins, chegamos ao fundo do poço e a tendência agora é melhorar. Mas as coisas não funcionam assim. Ainda temos o “volume morto” e há muita incerteza. 

Investir em 2016, portanto, vai exigir ainda mais conhecimento, planejamento, dedicação e, antes de tudo, sangue frio. No caso da Bolsa, quem está fora deve esperar por um momento de calmaria. Deixe passar algum tempo antes de se arriscar. Quem está dentro, muita tranquilidade: somente saia da sua posição dentro de uma estratégia bem definida ou em caso de necessidade de liquidez. Lembre-se: o prejuízo só se torna irreversível quando os papéis são vendidos. 

Os mercados de câmbio e ouro ainda devem sofrer com a volatilidade, mas são alternativas para aqueles que desejam diversificar carteiras ou para investidores com muito apetite para risco.

A renda fixa, por sua vez, permanece como o porto seguro no Brasil, já que a inflação resistente induz a aumentos da taxa de juros. Assim, casar os objetivos financeiros com as diversas opções de renda fixa é uma ótima maneira de investir em 2016. 

A caderneta de poupança definitivamente não vale a pena, porque nem sequer paga a inflação. Já os títulos do Tesouro Direto são bastante atrativos. O Tesouro IPCA (NTN-B) remunera a uma taxa fixa mais a inflação, com vencimentos entre 2019 e 2050. Para aqueles que não acreditam em uma alta dos juros, o Tesouro Prefixado (LTN) e o Tesouro Prefixado com juros semestrais (NTN-F) são alternativas. E para os que buscam prazos mais curtos ou não têm claro quando precisarão do dinheiro, o Tesouro Selic é o melhor caminho.

Outras boas opções em renda fixa são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), ambas isentas de Imposto de Renda, mas com prazos de resgate acima de seis meses. Também vale a pena pesquisar opções de CDBs. 

Fundos de investimento existem para todos os gostos e têm bons retornos. Mas cuidado com as taxas, que podem reduzir, e muito, a rentabilidade líquida.

Portanto, lembrem-se: o mais importante é escolher o produto financeiro de acordo com o orçamento e os objetivos. E 2016 exigirá ainda mais planejamento e estratégia.

*FÁBIO GALLO É COLUNISTA DO 'ESTADO' E PROFESSOR DE FINANÇAS DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA (PUC-SP) E DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV-SP)

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