Ouro e dólar foram os investimentos mais rentáveis em janeiro

Ouro avançou 7,5% no mês, seguido pelo dólar, com alta de 1,13%; Bovespa ficou na lanterna, com recuo de 6,2%

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2015 | 21h44

O ouro liderou o ranking de investimentos em janeiro, com valorização de 7,50%. Já o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) - principal termômetro do mercado acionário brasileiro - ficou na lanterna pelo terceiro mês consecutivo, acumulando perdas de 6,2% no primeiro mês do ano.

A segunda aplicação mais rentável foi o dólar comercial, com alta de 1,13% no mês. Na sexta-feira, a moeda avançou 2,95% e fechou a R$ 2,68. A alta foi puxada por uma bateria de más notícias dentro e fora do País, como os números negativos divulgados na Europa e nos Estados Unidos, o déficit primário do governo brasileiro, o rebaixamento da nota de classificação da Petrobrás pela Moody’s e, sobretudo, a declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que “não é intenção do governo manter o câmbio artificialmente valorizado” para favorecer o mercado interno.

Para Fabio Colombo, administrador de investimentos, nesse cenário de instabilidade, tanto investimentos em dólar como em ouro exigem muita cautela do investidor, por serem muito voláteis. “O ouro se destacou neste mês por sua valorização no exterior”, afirma. “Assim como os fundos cambiais, ele é uma opção conservadora para diversificação de portfólio.” Ele aconselha que essas aplicações comprometam por volta de 10% da carteira do investidor.

Bolsa. Já a Bolsa de Valores ficou em último lugar no ranking, puxada pela queda das ações da Petrobrás, em crise em meio às investigações da Operação Lava Jato. Depois da divulgação do balanço sem baixas por corrupção, a empresa teve ontem sua classificação rebaixada pela agência Moody’s. “Além de todos os aspectos políticos e de governança corporativa, que têm grande poder de contaminar o mercado financeiro, a Bolsa também foi influenciada pelo preço do petróleo, que continua em queda”, diz Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper.

Ele afirma que outro fator que já começa a impactar o mercado financeiro é a crise hídrica e energética. “Como estamos numa época de incerteza muito grande a respeito do racionamento de água e de luz, com perspectivas não muito favoráveis, isso já entra na conta e já começa a afetar algumas empresas na Bolsa”, afirma.

O desempenho da Bolsa nos próximos meses ainda é nebuloso, mas Viriato acredita que, por estar na baixa, ela guarda boas chances aos investidores. “Nas quedas é que surgem as oportunidades. Quem não possui ações, pode, lentamente, fazer pequenas entradas.”

Renda fixa. Os investimentos em renda fixa tiveram alta de 0,96% em janeiro, favorecidos pela alta da taxa básica de juros. No último dia 21, o Banco Central elevou a Selic para 12,25% ao ano.

“A renda fixa se comportou razoavelmente bem, mas o problema é que a inflação está muito alta. O Banco Central vem aumentando os juros reais, mas não está sendo suficiente para compensar a inflação”, diz Fabio Colombo. “Já os títulos referenciados à inflação tiveram um desempenho muito bom, porque os juros de longo prazo caíram”, afirma.

Segundo a última pesquisa Focus, do Banco Central, o mercado espera uma inflação de 1,20% para o mês de janeiro. “Deve vir um IPCA bem salgado, corroendo o ganho de boa parte das aplicações, como títulos referenciados à Selic e CDI. Já a poupança é o patinho feio e deve ficar bem abaixo do IPCA”, diz Viriato. Em janeiro, a poupança teve alta de 0,61%.

As chances de ganho real em 2015 para o pequeno investidor são desafiadoras. Para Colombo, o ideal é fazer um mix, com títulos pós-fixados e títulos indexados à inflação.

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