Ouro lidera ranking dos investimentos em abril

Bovespa fica na lanterna das aplicações, com aumento de aversão a risco e realização de lucros

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

30 de abril de 2010 | 17h35

O aumento da aversão a risco em investimentos foi determinante para a definição das melhores e piores aplicações de abril.  Se, por um lado, as preocupações com a Grécia fizeram as bolsas, inclusive a brasileira, viverem dias de volatilidade e encerrarem, em sua maioria no terreno negativo, aumentou a procura pelo ouro, ativo considerado de baixo risco em momentos de incerteza. O metal liderou a alta do ranking de investimentos do mês, com valorização de 1,47%.

Apesar do pico de alta do ouro, o investimento não é indicado por parte dos analistas. "Não é um mercado ativo, com liquidez. Além disso, o contrato pequeno que serviria para a pessoa física [de 25 gramas] não tem mercado", diz estrategista de renda variável da Infinity Asset Management, George Sanders. O metal foi o único investimento a bater a inflação medida pelo IGP-M, de 0,77%.

Na ponta contrária do ranking, aparecem as ações da Petrobrás (-6,62%) e Vale (-5,32%). "O aumento da preocupação faz os investidores saírem de todas as ações como um todo, o que fez a bolsa cair. No caso das blue chips, porém, a queda foi mais acentuada porque os estrangeiros detêm grande participação", diz o economista da LLA Investimentos, Sérgio Correia.

No caso específico de Vale, as vendas também foram impulsionadas por um movimento de embolsar os lucros, já que os papéis já haviam se valorizado muito no ano com a expectativa de bons reajustes na negociação dos preços do minério de ferro. Petrobrás, que arrasta um desempenho negativo desde o ano passado, ainda sofre as pressões do mercado que quer mais informações sobre o projeto de capitalização da companhia para a exploração da camada pré-sal.

Pesou ainda na bolsa, que encerrou o mês em queda de 4,04%, a expectativa de melhora de ofertas públicas no segundo semestre. "Os estrangeiros devem vender os investimentos já existentes para fazer caixa para os futuros investimentos em IPOs [oferta públicas iniciais]", acredita Correia. "O fluxo de investimentos estrangeiros começou o mês positivo e chegou perto de US$ 1,5 bilhão, mas se inverteu ao longo de abril", completa Sanders.

O euro e o dólar também tiveram forte queda, por conta da saída de recursos. Somente da Bovespa, por exemplo, os estrangeiros acumulam saldo negativo de R$ 938,361 milhões em abril, até o dia 28. O dólar fechou o mês com recuo de 2,47% e o euro, de 3,91%.

Nem uma aplicação de renda fixa alcançou 1%, tampouco bateu a inflação. O melhor investimento, fundos DI, rendeu 0,62% contra a inflação medida pelo IGP-M de 0,77%. Ainda entre os investimentos conservadores, a caderneta de poupança teve retorno de 0,47%. "Vale a pena para investidores que não têm acesso a fundos DI e de renda fixa com taxa de administração inferior a 1,5% ou 2% ao ano", calcula o administrador de carteiras, Fábio Colombo, considerando a menor alíquota de Imposto de Renda, de 15%.

Os títulos públicos, em geral, também subiram pouco. A exceção ficou por conta das Notas do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal) que tiveram queda. "A espera da alta do juro na reunião do Copom fez os juros futuros subirem e o preço desses papéis, que têm um juro fixo, recuar", explica Correia. Segundo especialistas, o investimento ainda vale a pena se for para o longo prazo, já que a taxa é superior a 6% mais IPCA. No curto prazo, porém, títulos de inflação e prefixados podem ter volatilidade nos preços.

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