Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Planejar ajuda na educação do filho

Colocar na ponta do lápis os gastos do herdeiro é essencial para que o casal mantenha uma boa relação e para que a criança tenha um desenvolvimento tranquilo

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

22 de março de 2010 | 12h24

Planejar a chegada de um filho nem sempre é possível. Mas há casais precavidos, que preferem colocar na ponta do lápis as despesas que o herdeiro dará ao longo da vida. Especialistas em finanças pessoais garantem que calcular quanto custa um filho é essencial para que o casal mantenha uma boa relação e para que a criança tenha um desenvolvimento tranquilo. "É preciso calcular desde o parto até a faculdade do filho. Dessa maneira, você garante que o sonho não se torne pesadelo", avalia Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.

Melina da Silveira, de 29 anos, está casada há um ano com um economista e conta que, desde o casamento, eles poupam cerca de R$ 500 ao mês. "Precisamos deixar esse ‘colchão’ armado para que não ocorram imprevistos quando tivermos um filho", diz, animada. Segundo ela, a ideia de planejar financeiramente a chegada do primogênito do casal veio do marido. "Por mim, eu já estaria grávida", conta, sem diminuir a importância do planejamento. "Sem dúvida, teremos mais tranquilidade."

Luiz Carlos Ewald, professor de finanças dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), salienta que, quanto antes o casal iniciar uma poupança como a de Melina, melhor. Ele alerta, ainda, que casais de classe média deveriam ter no máximo dois filhos. "Os custos ficam muito altos e fica difícil educar de perto."

Segundo cálculos dos especialistas, em uma família de classe média, com renda mensal de cerca de R$ 5 mil, um filho de zero até 23 anos, que estude em escola particular, custa R$ 400 mil.

Ewald salienta, porém, que, se esse valor for aportado na poupança, que rende cerca de 0,6% ao mês, durante os 23 anos, o montante salta para quase R$ 1 milhão. "E o segundo filho custa cerca de 80% do primeiro", diz. Ele explica que é como se houvessem "ganhos de escala", já que o segundo filho acaba reutilizando alguns materiais escolares e roupas do irmão mais velho.

O exemplo de Sandra Verrone, de 46 anos mãe de duas filhas, Camila, de 10 anos, e Clara de 9 anos, comprova o que Ewald diz. "Realmente a Clara usa as coisas boas da Camila. Além disso, depois do primeiro, você ganha mais experiência na criação", diz.

As filhas de Sandra não foram planejadas antes de nascer, mas a mãe afirma que, "se tivesse colocado os gastos na ponta do lápis, tudo seria mais fácil". "Mas aprendi a lição e, assim que elas nasceram, fiz um plano de previdência privada para cada uma delas. Assim, elas terão uma vida adulta mais tranquila."

Sandra e o marido Rubinei da Silva investem, para cada filha, R$ 80 por mês. "Optamos por um plano de previdência que só poderá ser resgatado quando elas fizerem 21 anos", diz a mãe.

A opção pela previdência é para garantir que o investimento seja de longo prazo, já que o resgate antecipado ocasiona desconto de taxas. "Por isso preferimos a previdência e não a poupança."

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