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Fábio Gallo
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Poupança para aposentadoria não tem idade

A primeira coisa que se deve ter em mente é que nunca é tarde para começar a guardar dinheiro pensando na aposentadoria

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2019 | 05h00

Vi uma nota referindo-se a uma conclusão sua sobre poupança para fins de aposentadoria: R$ 5 por dia para atingir R$ 500 mil aos 60 anos. Infelizmente sou como a maioria e, agora, aos 52 anos me dei conta de que não tenho nada. Considerando que estou ativo e com capacidade de trabalho, pergunto: começando hoje e com uma perspectiva de mais 20 anos daqui para frente, qual valor mensal (ou diário) o senhor me sugere poupar? 

A primeira coisa que você deve ter em mente é que nunca é tarde para começar a guardar dinheiro pensando na aposentadoria. Essa conta é simples e mostra o que chamamos de custo da espera – ou o custo de você demorar para começar a investir para sua aposentadoria. O cálculo feito partiu da seguinte pergunta: quanto tenho de poupar por mês para juntar R$ 500 mil daqui a 30 anos. Foi considerado que se você guardar R$ 5 por dia ao final do mês terá R$ 150 e, com taxa de 0,98% ao mês, ao final de 30 anos terá a quantia desejada. Assim, a primeira pergunta a ser respondida é “como quero viver como aposentado?”, com base nisso deve ser calculado quanto você deve ter acumulado de dinheiro.

No seu caso o horizonte de tempo é de 20 anos e, para juntar os mesmos R$ 500 mil, você deverá guardar R$ 17,40 por dia, que somarão R$ 522 por mês. A diferença de R$ 372, entre os R$ 522 desta situação e os R$ 150 do outro exemplo, corresponde ao custo da espera mensal por atrasar o inicio da sua poupança em dez anos. Por outro lado, se você esperar mais ainda e só tiver 10 anos de prazo, o valor mensal a ser poupado passa para R$ 2.204,35, resultando R$ 73,48 por dia.

Há algum estudo brasileiro que compare os ETFs (fundos negociados em Bolsa) com as alternativas (fundos de investimentos)? Podemos levar em conta estudos americanos para nossa realidade? 

A despeito das diferenças e da maior concentração de nosso mercado, os estudos sobre ETFs feitos nos Estados Unidos nos trazem informações úteis. Lá e aqui há estudos que demonizam os ETFS e outros que dizem que é a melhor coisa do mundo. No Brasil você pode encontrar trabalhos acadêmicos sobre o assunto, como também artigos na imprensa.

De maneira geral são listadas as vantagens desse investimento como a fácil aplicação, liquidez, diversificação em vários títulos e transparência sobre as ações pertencentes à carteira. Segundo o relatório mensal da B3 sobre os ETFs em abril deste ano o volume de investimentos nesses fundos atingiu R$ 15,3 bilhões, no início de 2017 era de R$ 4,4 bilhões e em 2018, de R$ 8 bilhões. O volume médio diário em 2009 era de R$ 19 milhões e hoje já bate em R$ 635 milhões. Mas as pessoas físicas representam apenas 10,5% do volume financeiro negociado.

A despeito de alguns artigos americanos dizerem que os ETFs perdem na maioria das vezes para outros índices, no Brasil nos últimos 12 meses a maioria dos ETFs ganhou de seus índices de referência. Houve fundo oferecendo rentabilidade de 25,9% nos últimos 12 meses. Em uma de suas últimas entrevistas antes de falecer, em janeiro, o criador dos ETFs, Jack Bogle disse que abominava o grande volume de fundos que estava sendo negociado naquele mercado. Segundo ele, os ETFs são usados para negociações de executivos de Wall Street que muitas vezes realizavam vendas a descoberto para proteger suas posições. Sua maior critica era de que esse tipo de negociação não trazia “nenhum bem social”. A história dos ETFs em nosso mercado é curta e devemos fazer novos estudos para termos uma comparação efetiva com outras estratégias de mercado.

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