Nilson Fukuda/Estadão
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Preço das cotas caiu, mas a dica é manter posição

Se você comprou um título que prometeu pagar no vencimento, digamos, 4,8% ao ano, você vai receber exatamente essa rentabilidade até o resgate.

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2018 | 05h00

Nesta semana, fiquei preocupado com a queda das cotas das minhas aplicações em fundos. Também li que os títulos do Tesouro Direto caíram de preço. O que está ocorrendo?

Os títulos de renda fixa do Tesouro Direto sofreram desvalorização nessas últimas duas semanas porque o preço desses títulos é formado pelo fluxo de caixa prometido descontado pela taxa de juros de mercado. Assim, caso a taxa de juros suba, o desconto será maior e o preço do papel vai cair. Mas, calma! Se você comprou um título que prometeu pagar no vencimento, digamos, 4,8% ao ano, você vai receber exatamente essa rentabilidade até o resgate. A queda dos preços dos títulos afeta aqueles que resolvem vender os papéis antes do vencimento. Neste caso, a venda é pelo preço de mercado que, como disse, é afetada pela subida de juros. O contrário é verdadeiro: caso a taxa de juros caia, o desconto será menor e o valor de mercado do título sobe. Mas, como as taxas estão subindo se a Selic permanece em 6,5% ao ano? A referência de juros de mercado é a taxa do contrato futuro de Depósito Interfinanceiro (DI), que representa uma operação de empréstimo de recursos entre bancos. A taxa DI é a taxa referencial básica do custo das operações interbancárias e dessa forma sintetizam as expectativas que os agentes de mercado têm sobre os comportamentos dos juros para períodos futuros. Para dar uma ideia da subida da curva de juros, em abril, as taxas DI para janeiro de 2025 estavam em torno de 9,74% ao ano. Em junho, chegaram a 12% ao ano. Por outro lado, os fundos de renda fixa todos os dias devem fazer marcação a mercado de seus títulos. Isso quer dizer que, no fechamento do dia, os papéis da carteira devem ter o seu valor atualizado. Dessa mesma maneira, o valor da carteira dos fundos foi afetado negativamente, desvalorizando o valor das cotas dos investidores. A dica é manter a posição até o vencimento e não ficar preocupado com o sobe e desce de mercado que, nestes tempos, depende mais da pesquisa eleitoral do que de outras variáveis.

Sou microempresário e acho um escândalo as tarifas cobradas por bancos dos micro e pequenos empresários. Isso não desestimula o empreendedor?

Sem dúvida. Muitos brasileiros, por opção ou por situação, devido ao desemprego, partiram para o empreendedorismo nestes últimos anos. Mas, ser empresário – principalmente pequeno – no Brasil é muito complicado. Não há incentivos reais, a burocracia é imensa e a tributação é complicada, mesmo com o sistema Simples. E, se isso tudo não bastasse, lidar com os bancos é sempre complexo para o pequeno empresário. Na hora de obter financiamentos e empréstimos há diversas exigências que as empresas não sabem como atender. Na verdade, o diálogo entre o banco e o empresário, que está se formalizando ou tem pouca experiência administrativa, é muito difícil. Além de tudo isso, as tarifas cobradas pelos serviços bancários ficam pesadas para os pequenos empresários. Basta consultar as tabelas do Banco Central. Apenas alguns exemplos de tarifas para pessoa jurídica. Extrato de conta em terminal eletrônico – valor médio: R$ 2,21; máximo: R$ 50. Confecção de ficha cadastral – média: R$194,70; máximo: R$ 20 mil. Renegociação de dívida – média: R$ 610,24; máximo: R$ 90 mil. Mesmo admitindo que em poucos casos esse valor seja cobrado, imagine o dono de um salão de beleza com dois funcionários tendo de pagar mais de R$ 600 para tentar acertar a sua vida com o banco. Sim, a vida do pequeno empreendedor é muito difícil. Só não é impossível porque o brasileiro tem muita resiliência. 

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