Produtos financeiros são alternativas para quem quer investir em imóveis

Fundos imobiliários, Letras Hipotecárias e Letras de Crédito Imobiliário oferecem rentabilidade semelhante à da renda fixa

Roberta Scrivano, de O Estado de S Paulo,

25 de julho de 2010 | 21h11

O bom momento do mercado imobiliário nacional tem despertado o apetite de investidores pelo setor. Com o cenário positivo, especialistas em finanças pessoais recomendam que o foco não fique somente no imóvel físico.

A indicação é que o investidor atente para opções que podem ser mais vantajosas. Entre elas estão os fundos imobiliários, as letras hipotecárias (LH) e as letras de crédito imobiliário.

"Fundos imobiliários, LH e LCI são investimentos para o longo prazo", alerta Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios. "São boas opções para a diversificação da carteira", emenda.

Os três ativos alternativos estão no quesito renda fixa e, entre eles, o mais recomendado pelos especialistas consultados pela reportagem é o fundo imobiliário. "Você se torna sócio de um grande empreendimento, como o shopping Pátio Higienópolis", exemplifica Sérgio Belleza, da Fundo Imobiliário Consultoria de Investimentos.

O fundo do Higienópolis é um dos 30 que estão listados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "O modo de negociar é exatamente igual ao das ações", diz. Isso quer dizer que quem quiser investir precisa abrir uma conta em uma corretora – de preferência especializada neste ramo, segundo Belleza – para comprar as cotas.

Cada fundo tem as suas características, mas, de acordo com o consultor, algumas são unânimes. "Todo mês o fundo te remunera de acordo com o rendimento fixo do empreendimento que compõe a carteira."

Na prática, isso significa que, no caso de um fundo em que a carteira seja formada por um prédio comercial, o rendimento fixo é o aluguel das salas e do estacionamento. "Se estão alugadas, um porcentual disso vai para os cotistas do fundo", esclarece.

No caso de shoppings, Belleza lembra que, em épocas específicas, como o Natal, o aluguel das lojas pode até dobrar. "Consequentemente, a rentabilidade do fundo aos cotistas dobra também", observa.

Na comparação com a rentabilidade de um imóvel físico, diante das atuais características do mercado, no entanto, o fundo perde, segundo Fábio Colombo, administrador de investimento. "Mas, para quem não tem capital suficiente para comprar um imóvel, essa informação é irrelevante", completa o especialista.

Economista aplica em fundos imobiliários

O economista Marco Antonio Martignoni já aplicou em ações, fundos multimercados e imóveis. "Há nove anos, comecei a vender o que tinha e comecei a comprar fundos imobiliários", comenta.

A primeira cota adquirida foi a do fundo do Shopping Pátio Higienópolis, inaugurado em 2000 no bairro nobre da zona oeste da capital paulista.

Os bons rendimentos demonstrados pelo fundo rapidamente atraíram a atenção de Martignoni. Para se ter uma ideia, em 2000, quando o fundo foi lançado no mercado, uma cota valia R$ 100. Hoje, a mesma cota está avaliada em R$ 380, o que equivale a uma valorização de 280%.

"Hoje, a minha carteira de investimentos tem seis fundos imobiliários e eu não troco essas aplicações por nenhuma outra", conta, orgulhoso.

Como bom economista, Martignoni cita diversos números e fatores técnicos importantes para a decisão do investimento com o intuito de comprovar o quão bom é um fundo imobiliário.

"Há isenção de imposto de renda, a liquidez é boa e, com a inflação estabilizada somada ao fato de o brasileiro estar em um momento de ascensão de renda, não há como um fundo imobiliário que tem a carteira em um empreendimento comercial como um shopping não render muito bem", detalha.

E ele dá uma dica aos interessados: deve-se conhecer o imóvel que compõe a carteira do fundo. "Vá ao shopping, sinta o clima. Pergunte aos lojistas como está o movimento, que tipo de pessoa frequenta o lugar."

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