Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Renda fixa encosta na Bolsa em ranking de investimentos de abril

Com rendimento bruto de até 0,90% no mês, os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação diminuíram a distância para as ações

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 19h21

Em um mês marcado por instabilidades políticas e dúvidas sobre a tramitação da reforma da Previdência, o brasileiro redescobriu o protagonismo da renda fixa em seu portfólio de investimentos.

Em abril, os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação (Tesouro IPCA NTN-B) surpreenderam os analistas e diminuíram a distância para as ações, segundo ranking dos investimentos de abril compilado pelo economista Fabio Colombo.

Os títulos apresentaram rendimento bruto na faixa de 0,80% a 0,90%, dependendo do prazo do papel. Ficaram perto da Bolsa, a líder no período com alta de 0,98%.

Para o analista Fabio Colombo, a volta do protagonismo de um título de renda fixa é em boa parte explicada pelo momento político e econômico do Brasil. "A inflação, que vinha muito baixa, voltou a subir um pouco neste mês. Além disso, as pequenas crises políticas, com declarações do governo, associada à lenta tramitação da Previdência, fazem a renda fixa retomar um papel de liderança”, observa.

Em abril, a prévia da inflação, chamada de IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo 15), acelerou para 0,72%, após ter ficado em 0,54% em março. Essa foi a maior alta dos preços para um mês de abril desde 2015, quando o índice foi de 1,07%. O acumulado no ano ficou em 1,91% e, nos últimos 12 meses, em 4,71%. Em abril de 2018, a taxa havia sido de 0,21%.

Sem mudanças

Sócio do banco Modal, Ronaldo Guimarães diz que, sem grandes mudanças no espectro político, é de se esperar que essa situação persista também em maio. "Existe alguma pressão inflacionária para maio vindo dos alimentos, principalmente das bebidas e da proteína animal. Com isso, nossa visão é que os investidor deve permanecer comprado em títulos de IPCA e alguns fundos que apostam na inflação, como o IMA-B", aponta Guimarães.

Com dúvidas dos investidores sobre o futuro da reforma da Previdência no Congresso, Guimarães destaca que a Bolsa deve ainda sofrer fortes oscilações nos próximos meses. Ele, no entanto, lembra que as empresas brasileiras ainda oferecem espaço para ganhos ao investidor. "Mas é preciso ter sangue frio e saber esperar", observa o especialista. “Tem de deixar o dinheiro lá, trabalhando. Bolsa não é renda fixa.” Ronaldo Guimarães destaca os fundos de ações que aportam em ativos nos Estados Unidos como boas oportunidades para o momento. "A economia americana está em franco crescimento e, aqui, no banco, os fundos que aplicam em ações nos Estados obtiveram retorno de 4% em abril", diz.

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