Infográfico/Estadão
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Renda fixa ganha mais destaque nas carteiras

Alta da taxa de juros volta atenção do mercado para títulos públicos e privados

YOLANDA FORDELONE, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2015 | 02h02

Em todo início de ano, corretoras divulgam aos clientes carteiras recomendadas de ações. Dessa vez, porém, há um consenso entre as casas: 2015 será o ano da renda fixa. Para especialistas, há boas oportunidades não só da renda fixa pós-fixada, devido à perspectiva de alta do juro básico da economia (taxa Selic) nos próximos meses, mas também nas aplicações prefixadas e de inflação.

"A renda fixa se torna uma alternativa interessante tanto por questões negativas que andam minando a renda variável como pela questão dos juros", afirma o analista da corretora Coinvalores, Bruno Piagentini.

Dois fatores impactam diretamente a decisão de qual título comprar: o tempo que se pretende aplicar e a aversão a risco do investidor. No curto prazo, até seis meses, a Selic deve avançar, o que torna aplicações em papéis pós-fixados mais interessantes. Atualmente, o juro básico está em11,75% ao ano.

De acordo com o analista da Rico André Moraes, no curto prazo a Letra Financeira do Tesouro (LFT), do Tesouro Direto, e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) são opções. Tais títulos acompanham a variação da Selic e, portanto, devem ter a rentabilidade turbinada nos próximos meses.

Os papéis pós-fixados também são indicados aos perfis conservadores. "Mesmo na renda fixa há riscos. Mas nos pós-fixados há menos sustos, pois o papel não irá se desvalorizar", diz o diretor da Easynvest, Amerson Magalhães.

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são atrativos caso o investidor consiga uma taxa maior de retorno, já que nele se paga Imposto de Renda no resgate, enquanto nas LCIs e LCAs as pessoas físicas são isentas. Segundo simulação da Easynvest, em uma LCI de 181 dias é possível obter uma rentabilidade de 98% do CDI. Para o CDB valer a pena, o retorno do certificado deveria ser de no mínimo 121,8% do CDI (veja infográfico).

CDBs, LCIs e LCAs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF, caso o banco não honre o pagamento. Essa informação é relevante, pois a rentabilidade dos produtos é maior nos bancos de médio e pequeno portes. Mas os gestores têm suas dúvidas de até que ponto vale a pena correr o risco e alertam: mesmo sendo coberto pelo FGC, o dinheiro demora para ser pago. Caso o investidor, mesmo assim, queira aplicar em bancos médios, a sugestão é diversificar as instituições.

Já se a intenção é aplicar por um período maior do que seis meses, títulos prefixados e de inflação começam a ficar mais interessantes, destacam os analistas. "O mercado espera alta da Selic, mas acredito que o juro esteja mais perto do topo do que do fundo", diz Moraes, da Rico. Comprar prefixados neste momento de juro elevado garantiria um retorno alto para o investidor no longo prazo.

O mesmo ocorre com títulos indexados à inflação negociados no Tesouro Direto, que pagam um juro prefixado (atualmente na faixa de 6% ao ano) mais variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que deve se manter ainda elevado em 2015.

Fundos. A facilidade de se aplicar diretamente em títulos de renda fixa (hoje é possível comprar CDBs, LCIs e LCAs pelos sites das corretoras) e o menor custo da transação fizeram com que os fundos passassem a ser figurantes na carteira de investimentos, dizem especialistas do mercado.

Os fundos são opções para quem não tem a mínima ideia de como funciona a renda fixa, explica Moraes. Atualmente, com tanta informação no mercado e em cursos, rapidamente o investidor já consegue andar com as próprias pernas.

Magalhães comenta que para comprar uma LFT se paga 0,30% de taxas. "Para o fundo valer a pena, então, seria preciso que esse cobrasse 0,30% ao ano de taxa de administração", compara. Para ele, também há a desvantagem psicológica dos fundos. "Como o dinheiro fica ali no extrato bancário, a tentação de gastar é maior."

Diversificação. Apesar de os holofotes do mercado estarem voltados aos papéis isentos de IR (LCI e LCA), o investidor não deve se acomodar, aponta o sócio da Empírica Investimentos, Leonardo Calixto. Para ele, o crédito estruturado deve oferecer bons retornos a quem busca rentabilidade um pouco maior.

Esse produto envolve todo tipo de papel privado, que representa a dívida de uma empresa com o investidor. Companhias não financeiras, como construtoras, podem lançar tais títulos de investimento.

No caso da Empírica, há um fundo voltado à pessoa física, cujo aporte inicial é de R$ 25 mil. Dentro dele, há desde fundos de recebíveis até Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Em 12 meses, até novembro, o retorno foi de 129,6% do CDI.

"A renda fixa deve se destacar não só neste ano, mas em 2016, pelo menos. E diria mais: Os dois anos seguintes têm alguma chance de também serem da renda fixa", projeta Calixto.

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