Se não tem como quitar dívida, tome um crédito

Com a queda da taxa de juros, gostaria de investir em fundos que misturam ações e renda fixa. Como escolher um que me agrade, tendo em vista que quero rentabilidade?

Fábio Gallo *, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2017 | 05h00

Investir em fundos multimercado é uma boa opção, mas desde que o investidor esteja disposto a correr mais risco. A primeira pergunta a ser respondida é sobre o grau de risco que você aceita. Essa resposta depende de seu comportamento como investidor e do objetivo estabelecido. De maneira simples, vamos dizer que você pense usar o dinheiro em seis meses e em algo muito importante. Nesse caso, não há como correr riscos e deve ser privilegiada a segurança em vez da rentabilidade. O contrário é verdadeiro: quanto maior o prazo e menor a importância, mais risco pode ser aceito. É importante, também, entender como esses produtos funcionam. Esses fundos são divididos em dois grupos: alocação e estratégia. Alocação significa dizer que o gestor vai buscar retorno no longo prazo, podendo investir em ações, renda fixa, câmbio, cotas de outros fundos. Na categoria estratégia os investimentos dependerão da estratégia buscada pelo gestor que pode ser dependente do cenário macroeconômico, explorar oportunidades de mercado, realizar operações casadas de compra e venda, entre outras possibilidades. A categoria de fundos multimercado dedicados a estratégia permite alavancagem que, de forma simples, significa que o fundo está pegando dinheiro emprestado para investir mais do que tem de recursos. Isto significa muito mais risco para o investidor porque o fundo está investindo na expectativa de grandes ganhos, mas caso contrário as perdas são também muito grandes e o investidor pode ser chamado para cobrir esses prejuízos. A dica é pesquisar sobre os fundos oferecidos e começar com fundos multimercado que sejam de alocação e que tenham boa parte de renda fixa. Passado algum tempo e quando estiver mais ciente de como esses fundos operam, aí você poderá partir para fundos de maior risco.

Não guardei dinheiro para pagar as contas de início de ano: IPVA, IPTU e matrícula da escola das crianças. Vale a pena fazer um empréstimo com taxa de 3% ao mês ou rolar a dívida para o meio do ano?

Rolar a dívida para o meio do ano significa você ter de pagar multas de até 20% do valor do imposto devido, mais correções. No caso do IPVA e do IPTU, a multa incidente é de 0,33% ao dia de atraso, e isto é quase 10% no mês porque o cálculo é linear. Após o primeiro mês há incidência de 1% ao mês mais correção monetária pela Selic. Enfim, vai dar dor de cabeça e custar caro. Deixar de pagar a matrícula da escola também pode ficar caro e trazer diversos transtornos. Por outro lado, tomar empréstimos com taxa de 3% ao mês também é caro, equivale a 43% ao ano. Mas, não há crédito muito mais barato do que esse. Vale pesquisar e buscar alguma alternativa um pouco mais em conta. Segundo o Banco Central (BC), a taxa média do consignado em novembro estava em 2,81%. A saída é obter o crédito mais barato que puder para pagar a primeira prestação e a matrícula. Nos próximos meses fazer um grande esforço para pagar essa dívida juntamente com as prestações dos tributos e mensalidades escolares. Essa situação é vivida por muitos brasileiros, embora seja algo que todos nós temos conhecimento. O início do ano é sempre difícil por conta dos gastos com festas, presentes, contas e outros tipos de dívidas. Qualquer esforço ao longo do ano em buscar a organização das contas vale a pena.

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