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Tesouro Direto bate recorde em março e vende R$ 1 bilhão

No mês da mudança dos nomes dos títulos públicos e do início da recompra diária, Tesouro Direto atraiu 12 mil novos investidores, três vezes mais que em março do ano passado

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2015 | 18h00

 

O Tesouro Direto bateu recorde em março, com mais de R$ 1 bilhão em vendas. O resultado representa crescimento de 118,8% na comparação com o mesmo mês de 2014, quando as vendas somaram R$ 457,6 milhões. 

O Tesouro Direto é a plataforma online de compra e venda dos títulos do governo para pessoas físicas. Para investir, é necessário ter uma instituição financeira ou corretora como agente de custódia.

A disparada nas vendas do Tesouro Direto coincide com a mudança nos nomes dos títulos públicos, que começaram a valer em 10 de março. As siglas que nomeavam os títulos (a chamada "sopa de letrinhas") confundiam os novos investidores e foram substituídas por nomes simplificados. A NTN-B Principal, por exemplo, passou a se chamar Tesouro IPCA, referência ao tipo de rentabilidade do título: uma taxa prefixada acrescida da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O momento de inflação e juro altos também faz crescer a atratividade do Tesouro Direto. O IPCA atingiu a taxa de 8,13% no acumulado em 12 meses até março. Já a Selic está hoje no patamar de 12,75% ao ano. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central), se reúne para definir o rumo do juro básico.

Nesse cenário, o Tesouro Direto conseguiu atrair 12.570 novos investidores em março - número três vezes maior que em março do ano passado. São 484.275 investidores, alta de 23% na comparação anual. O número de investidores do Tesouro Direto se aproxima de quem aplica em ações. Em março, a Bolsa tinha 565.476 CPFs cadastrados.

Os resgates no Tesouro Direto somaram R$ 457 milhões, sendo R$ 168 milhões relativos a recompras e R$ 289 milhões referentes a vencimentos. A recompra diária dos títulos, outra mudança anunciada em março, passou a valer somente no dia 30. Antes, o Tesouro Direto comprava de volta os títulos dos investidores somente às quartas-feiras.

Perfil de compra. Os títulos indexados à inflação se mantiveram em março como os mais vendidos, com 51% do total. O Tesouro IPCA foi papel mais vendido, com 37,7%. O Tesouro IPCA com Juros Semestrais (antiga NTN-B) representou 13,3% das vendas.

O Tesouro Prefixado (antiga LTN) teve representatividade de 15,8%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (antiga NTN-F) correspondeu a 1,5% do total. O papel indexado à taxa básica de juros, a Selic, o chamado Tesouro Selic (antiga LFT), representou 31,8% das vendas.

Mais de 30% das pessoas investiram até R$ 1 mil. Outro segmento representativo é o de aplicações de valores de R$ 10 mil a R$ 50 mil, com 20% do total.

Rentabilidade. Um título com menor prazo de vencimento, como o Tesouro Prefixado 2018, está com rentabilidade anual bruta em torno de 11%, enquanto um papel de longo prazo, como o Tesouro IPCA 2035 renderia anualmente 20% bruto.

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