Tesouro Direto muda regras do valor de compra de títulos

Alguns papéis como os pós-fixados, no entanto, continuarão com valor alto de aplicação

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

24 de outubro de 2011 | 07h47

A redução do valor mínimo de aplicação no Tesouro Direto a partir de 2012 promete inserir mais pessoas físicas no investimento em títulos públicos. Atualmente, se não possuir dinheiro suficiente para comprar um papel inteiro, o investidor pode adquirir frações de 20% do valor do título, porcentual que cairá para 10% no ano que vem, com o valor mínimo de R$ 30.

Em alguns casos, como em títulos de inflação da Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal), o valor para aplicar ficará mais acessível. O papel com vencimento em 2035 terá valor mínimo de cerca de R$ 57. Alguns títulos públicos, porém, continuarão com preço bem mais alto. Com o título pós-fixado Letra Financeira do Tesouro (LFT) valendo próximo a R$ 5 mil, mesmo que optar por comprar a fraca de 10% o investidor precisará desembolsar quase R$ 500.

"O fato de o valor ser um pouco mais alto acaba impactando na decisão do pequeno investidor", diz o diretor do Easynvest, Amerson Magalhães. Pela rentabilidade das LFTs acompanhar a variação do juro básico (Selic) seja qual for a tendência, esses papéis são justamente os apontados por especialistas como os menos arriscados.

"Sem dúvida, a alteração vai trazer mais investidores para o Tesouro, mas seria interessante rever a possibilidade de lançarem títulos pós ou aplicar uma fração mínima ainda mais baixa nesse caso", afirma.

Os títulos pós-fixados têm o valor corrigido diariamente pelo juro. Com o Tesouro Direto completando 10 anos em 2012, o valor base ainda é do início da aplicação. Apesar disso, o Tesouro diz não discutir essa possibilidade. "Não está prevista uma mudança", afirma o gerente de Relacionamento do Tesouro Nacional, André Proite, ao dizer, no entanto, que é uma discussão que poderia ser feita.

Para o governo, é interessante aumentar sua dívida em papéis prefixados, pois assim ele consegue planejar com antecedência quanto irá pagar de juro. O juro pago em títulos prefixados é acordado no momento da compra. Proite ressalta que não é esse o motivo de o governo não rever o valor desses papéis. "Não escutamos reclamações do público sobre o valor", diz.

No último balanço do governo, de setembro, as LFTs representaram apenas 13,41% das vendas de títulos. A demanda menor, porém, também pode ser explicada pela melhor familiaridade das pessoas físicas com os títulos de inflação e prefixados. "Para o pequeno investidor, o prefixado se torna mais atraente porque ele já sabe qual será sua rentabilidade. Esse perfil não acompanha as projeções para saber se o juro vai subir ou cair", comenta o gerente de home broker da corretora Socopa, Rogério Manente.

Os títulos indexados à inflação do IPCA, igualmente, são mais bem compreendidos pelas pessoas físicas. No momento da compra eles garantem um juro fixo mais variação da inflação até o vencimento do papel. Manente explica que a aplicação no Tesouro Direto muitas vezes ainda ocorre no boca a boca, com a indicação de amigos. "O pequeno investidor que está na poupança e CDBs pode achar, por desconhecimento, que não tem dinheiro suficiente para comprar títulos do governo", afirma o gerente da Socopa, ao dizer que acredita que o valor menor desses papéis incentivará a entrada de mais pessoas.

Vale lembrar que mesmo com um valor maior em relação aos outros títulos, as LFTs são mais acessíveis se comparadas a investimentos semelhantes no mercado. "Com uma corretora que não cobre corretagem, o custo será a custódia de 0,4% no primeiro ano e de 0,3% a partir do segundo ano. No mercado para conseguir um investimento que acompanhe 100% a Selic seria preciso um fundo com taxa de administração de 0,5%. Hoje a pessoa precisa de R$ 500 mil para conseguir uma taxa tão baixa", diz Proite.

Mais facilidades

A mudança mais interessante a partir de 2012, destacada pelo gerente do Tesouro Direto, é a criação de investimentos programados mensalmente. Por enquanto, estão previstos débitos na conta do investidor, na corretora ou banco que faz intermédio da compra. "Estamos estudando a criação de um boleto eletrônico", diz.

Além disso, nos títulos cujo juro é pago semestralmente poderá haver o reinvestimento automático, que segundo especialistas é justamente o indicado nesses casos. A venda do título, caso o investidor não queira ficar até o vencimento, também poderá ser agendada.

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