Títulos de renda fixa já embutem possível alta de juro em 2011

 Manutenção do juro nesta quarta-feira já era amplamente esperada pelo mercado

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

21 de outubro de 2010 | 09h32

A manutenção da taxa básica de juros (Selic) no patamar de 10,75% ao ano na penúltima reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), para os investimentos, não altera as perspectivas por enquanto. A ata do encontro, que será divulgada na próxima quinta-feira, 28, deve atrair mais a atenção do mercado e pode mudar as projeções.

"É importante para avaliarmos como o Banco Central está vendo a economia, porque tanto o relatório de inflação como a ata da ultima reunião traçaram um cenário muito tranquilo para a inflação", lembra o responsável pela área de renda fixa da Avanti Gestão de Recursos, Luiz Augusto Monteiro.

"A expectativa dos analistas para inflação subiu muito desde a última reunião em setembro", diz o consultor econômico da WinTrade - home broker da Alpes Corretora -, José Góes. Desde lá, o cenário internacional teve uma ligeira melhora, o que também fez subir o preço das matérias-primas (commodities).

Todos os analistas consultados acreditam que o juro deve se manter inalterado até o fim de 2010 e os motivos são diversos. Há o fator político, por conta das eleições para presidência. A formação da equipe econômica nesta virada de ano também pode alterar a visão do mercado para o juro.

Além disso, quando há uma elevação do juro, os efeitos na economia não são automáticos. "O BC deve prosseguir observando o que os aumentos feitos anteriormente, em outros encontros, estão fazendo na economia", diz o economista Salomão Santos, da iCash Investimentos - empresa de orientação e administração de patrimônios.

Há ainda o fator China. Esta semana o país aumentou o juro pela primeira vez desde 2007, na tentativa de diminuir a pressão inflacionária. As medidas monetárias lá, no entanto, podem ter efeitos nas commodities e, por consequência, também afetar o Brasil.

Por enquanto, a projeção do mercado segundo a última pesquisa Focus é que a Selic só sofra aumentos em 2011, de 1 ponto porcentual, para 11,75% ao ano. As taxas pagas nos títulos públicos e investimentos de renda fixa, garantem especialistas, já embutem essa possível alta do juro no ano que vem. "Para os prefixados sofrerem uma perda significativa o juro precisaria explodir novamente", diz Monteiro. "Então, pela questão da rentabilidade não faz muita diferença neste momento optar pelo papel prefixado ou pós-fixado", avalia, ao comprar os títulos que têm rentabilidade predefinida e aqueles que acompanham a Selic.

No Tesouro Direto - site do governo em que é possível comprar títulos públicos -, os títulos prefixados estão com rentabilidade entre 10,94% e 11,92% ao ano, dependendo da data do vencimento. Os papéis que pagam um juro fixo mais a variação da inflação do IPCA estão com taxa entre 5,67% e 5,83% ao ano. Vale lembrar, porém, que esses títulos são mais indicados para o longo prazo, para quem não quer correr o risco de ter o poder de comprar diluído com a alta da inflação.

A Bolsa paulista, que em 2010 avançou pouco mais de 2%, deve continuar a atrair investimentos, e, neste momento, não deve ser impactada pela manutenção do juro hoje ou por pequenos aumentos da taxa no curto prazo. "Só se a inflação subisse muito e o juro também, poderia haver uma saída de recursos", diz Santos.

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