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Títulos privados devem ganhar fôlego em 2017

Na renda fixa, CRIs, CRAs e debêntures de infraestrutura oferecem mais risco, mas tendem a ficar mais atraentes com melhora da economia

Malena Oliveira, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 08h10

SÃO PAULO - A melhora esperada para a economia a partir do último trimestre deste ano já começa a render apostas em títulos privados cujos rendimentos são isentos de Imposto de Renda, como as debêntures de infraestrutura e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Outras aplicações que também podem ganhar atratividade são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

O volume de debêntures de infraestrutura emitido pelas companhias este ano até agora é de R$ 1,2 bilhão, o que representa apenas 40% do valor oferecido a investidores no mesmo período de 2015. Só nos últimos dois meses, porém, as emissões somaram mais de R$ 700 milhões, segundo dados da Cetip. 

Já o estoque de CRAs saltou de R$ 3,7 bilhões no fim do segundo trimestre de 2015 para R$ 10,4 bilhões ao fim de junho deste ano. Enquanto isso, o de CRIs passou de R$ 61,7 bilhões para R$ 65 bilhões nesse período. “Exceto os CRAs, mais resistentes à crise, não vimos muito crescimento este ano”, diz Fabio Zenaro, superintendente de Produtos da Cetip. Ele considera, porém, que as captações tendem a aumentar com a recuperação da economia.

A diminuição da oferta de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), lastreadas no financiamento de imóveis e cujos ganhos também são livres de IR, ajudou a impulsionar a procura por produtos de renda fixa similares. “Hoje, há mais demanda do que oferta de LCIs”, diz Paulo de Paula Abreu, diretor presidente da Barigui SEC, que atua com securitização de crédito imobiliário. Ele explica que, no caso dos CRIs, a demanda só não cresce por causa da falta de disposição do investidor para correr risco, uma vez que esses papéis, ao contrário das LCIs, não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Oferta. A disponibilidade desses produtos para o investidor depende das emissões das empresas, que financiam projetos nesses recursos.

De olho na demanda, o banco Brasil Plural lançou o seu segundo fundo focado em debêntures de infraestrutura. “Com a crise, as empresas pararam de emitir esses papéis”, diz Leonardo Breder, sócio do banco. As expectativas para o longo prazo, porém, incentivaram a retomada das captações este ano e confirmaram a atratividade do produto junto a investidores, explica o executivo.

Analista da corretora Rico, Roberto Indech afirma que as concessões planejadas pelo governo devem aquecer o mercado de debêntures no ano que vem. “É uma alternativa para a diversificação”, diz. Ele lembra, no entanto, que essas aplicações são voltadas para o investimento de longo prazo.

Considerando também os CRIs e os CRAs, vender esses títulos antes do vencimento pode resultar em perda. “O investidor pode ser penalizado na taxa”, diz Priscila Fracari Vargas, diretora comercial da corretora Planner.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que são CRIs e CRAs?

São títulos do mercado imobiliário e do setor agrícola que dão direito ao recebimento de valores no futuro acertados a uma taxa prefixada. Os rendimentos são isentos de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) após 30 dias da aplicação.

2. Em que são diferentes das LCIs e da LCAs?

Os CRIs e CRAs não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

3. O que são debêntures de infraestrutura?

Conhecidos como incentivadas, são emitidas para projetos em logística e transportes. O ganho é isento de IR e o prazo da aplicação varia entre cinco e dez anos.

4. Quanto é preciso ter disponível para investir?

No caso dos CRIs e CRAs, o tíquete médio das aplicações é de R$ 300 mil. Já debêntures de infraestrutura permitem aplicações na casa dos R$ 1 mil. 

5. Qual é o risco?

Todos os títulos envolvem o risco de o emissor não honrar os pagamentos. Menos líquidos, vender esses papéis antes do vencimento exige o interesse de um comprador e a operação pode ser feita por uma taxa menor do que a contratada.

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