Veja como fica a carteira de investimentos diante da crise europeia

Aumento da volatilidade na Bolsa pode trazer pequenos ajustes nas aplicações no curto prazo

Roberta Scrivano e Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

11 de fevereiro de 2010 | 17h17

A queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2010, agravada nas últimas semanas pelo aumento do receio em relação à situação fiscal de alguns países europeus, já soma  perdas equivalentes a um Itaú Unibanco e um Pão de Açúcar. Nos primeiros 40 dias do ano, ou seja, até o pregão de quarta-feira, 10, o valor de mercado da Bovespa caiu R$ 163 bilhões, o mesmo que as somas do banco, que vale aproximadamente R$ 147 bilhões, e do grupo varejista, que soma R$ 17 bilhões na Bolsa.

 

Indecisos, porém, especialistas ainda hesitam em recomendar uma troca brusca na carteira dos investidores. Para parte do mercado, o recuo da Bolsa acentuado nos últimos pregões se deve apenas às especulações de curto prazo. "A turbulência dos países europeus não deve impactar de maneira concreta o mercado financeiro nacional", afirma o economista da LLA Investimentos, Sérgio Correa.

 

 

 

A volatilidade, todos concordam, deve aumentar, como já tem sido observado. A média entre as pontuações mínima e máxima do Ibovespa, que tinha começado 2009 em cerca de 1.600 pontos por pregão e encerrado o ano na casa de 1 mil pontos diários, voltou a subir. Em 2010, a variação está em 1.332 pontos por pregão. Se for avaliado somente o mês de fevereiro, a volatilidade é ainda maior, de 1.646 pontos.

 

"A volatilidade vem com a insegurança. Estamos presenciando um suspiro de alguns países da Europa", diz o consultor financeiro, Augusto Sabóia. "O que muitos perguntam é ‘quantos mais países estão quebrados?’", questiona.

 

Apesar da preocupação com o mercado internacional, especialistas dizem que ainda é cedo para fazer mudanças drásticas na carteira. "A estratégia não muda assim tão rapidamente, mesmo com o cenário na Europa ainda indefinido", aponta Sabóia. "A consequência maior para o Brasil, por enquanto, parece ser mesmo o aumento da volatilidade, até por ser um ano eleitoral", completa o gestor da Grau Gestão de Ativos, Carlos Augusto Levorin.

 

O mercado cambial também é influenciado pela Europa. Em 2010, o dólar já se valorizou 6,08%, até a última terça-feira. A saída dos investidores estrangeiros de mercados emergentes como o Brasil para aplicações consideradas mais seguras, como a moeda norte-americana, é apontada como o principal motivo para este movimento.

 

Piigs

 

O grupo dos Piigs – Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha – está no foco do noticiário econômico nos últimos dias. Aumentou o temor entre os investidores de que as dívidas contraídas por esses países ao longo da crise não serão honradas. Estes países, considerados mais fracos dentro da União Europeia, têm apresentado elevados déficits fiscais.

 

Para o economista da LLA, a situação dos Piigs, sobretudo a da Grécia, vai gerar dois resultados. O primeiro, de longo prazo, com foco na economia europeia que, segundo ele, tende a se recuperar de maneira ainda mais lenta do que a anteriormente prevista. "Principalmente por conta do ajuste fiscal que os países daquele continente terão que arcar por terem recebido auxílios financeiros", conta Correa.

 

Já o efeito de curto prazo poderá refletir em outras economias, incluindo a brasileira. "A atual situação aumenta a aversão ao risco, portanto, os investidores tendem a inserir menos recursos em países menos seguros e aumentar as aplicações, por exemplo, em dólar nos Estados Unidos", completa.

 

Correa, porém, demonstra otimismo e reforça que tal efeito é de curto prazo. Para ele, assim que houver o anúncio de um pacote financeiro à Grécia haverá instantaneamente a diminuição da aversão ao risco e, consequentemente, a normalização do mercado. "Estamos em um momento de forte volatilidade que, se for bem aproveitado, pode gerar ganhos", comenta.

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