Foto: Multiplan
Foto: Multiplan

Débora Ribeiro / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h08

De onde o Brasil faz a curva, em Pernambuco, até quase a ponta de baixo, no Rio Grande do Sul, surgem exemplos de empreendimentos que investem em equipamentos capazes de contribuir para a preservação dos recursos naturais, reduzindo os gastos de água e eletricidade, de olho na sustentabilidade do negócio. O objetivo é fechar as contas, no fim do mês, com menor custo de operações e manutenção.

Adotando tal prática, dois shoppings foram consagrados nesta edição do Master Imobiliário, um em Olinda e outro em Canoas, com o voto majoritário da comissão julgadora, que definiu a premiação. Em ambos os casos, o destaque foi a tecnologia em itens que tornam a edificação sustentável.

Parceria da HBR Realty (Helbor) e Grupo CM, o Patteo Olinda Shopping recebeu o prêmio por inovações tecnológicas. O júri elogiou o projeto executado para “gerar o máximo de eficiência”, apontando, entre as soluções adotadas, a ventilação proporcionada pela fachada, o sistema de ar condicionado com termoacumulação, a reutilização de águas pluviais e o dispositivo de recuperação de energia, que conferem “elevado grau de sustentabilidade ao empreendimento”.

Construído pela Multiplan, o Parkshopping Canoas ganhou troféu de empreendimento comercial. Localizado na região metropolitana de Porto Alegre, o shopping está integrado ao principal parque municipal de Canoas por uma passarela metálica de 60 metros de comprimento. “É referência em sustentabilidade”, diz o voto do júri.

Para entretenimento, o destaque no Parkshopping é a arena de patinação no gelo, com pista de 450 m². Espaços lúdicos para crianças, cinemas, restaurantes com varanda para o parque e centro de eventos, além da tela de LED com 63 m², completam a oferta de lazer.

O projeto integrou o empreendimento ao Parque Getúlio Vargas, uma área verde de 28 mil m², onde a Multiplan investiu R$ 35 milhões em melhorias, como o lago com fontes luminosas, um anfiteatro e uma praça de eventos. “É o primeiro shopping que reúne natureza, entretenimento, comércio, serviços e sustentabilidade em um único empreendimento”, diz o vice-presidente de desenvolvimento imobiliário da Multiplan, Marcello Barnes.

Desenvolvido com foco no baixo custo condominial, o shopping é o 19º da Multiplan. Para Barnes, o item principal é a planta fotovoltaica de 4.160 painéis com capacidade de produção de 1,3 megawatts. “O investimento foi de R$ 6 milhões”, diz.

A empresa também adotou placas solares no estacionamento, reúso de água, estação de tratamento de esgoto e chillers (resfriadores de água) de baixo consumo. Barnes afirma que “o custo condominial por metro quadrado do Parkshopping é 23% menor do que a média do portfólio da Multiplan”.

No Patteo Olinda, inaugurado em abril, uma inovação foi o controle de ruído e menor consumo de eletricidade com o sistema de ar condicionado, que utiliza chillers de última geração. Segundo José Luiz Muniz, diretor do Grupo CM, o “chiller com tecnologia de rolamento magnético” tem eficiência 20% superior aos convencionais e reduz o barulho em até 50%. Ele ressalta a performance da “operação que não usa óleo” e cita os motores do sistema, que reduzem o consumo de energia elétrica em 20%.

Henrique Borenstein, diretor-presidente da HBR Realty, também aponta como ponto principal os equipamentos de ar condicionado, atrelados a três torres de resfriamento. É a termoacumulação, que tem como objetivo, reduzir o custo com energia. O sistema utiliza tanques de água gelada, que armazenam carga térmica de madrugada, quando o custo é mais baixo. São três tanques de 1,5 milhão de litros cada um. “Pode-se alcançar economia de luz de até 70%”, calcula Borenstein. Com bombas de recirculação, o conjunto custou US$ 11,7 milhões.

O Patteo Olinda tem sete pavimentos, incluindo os três de garagens. No terceiro piso comercial, destinado ao lazer, com cinemas e praça de alimentação, existe terraço com vista para o oceano. A fachada ventilada, que aproveita as brisas marinhas através de um vão no corpo da edificação, reduz a temperatura interna, gerando economia de energia no sistema de climatização de R$ 37 mil por dia.

Investimentos criam 8 mil empregos

Com investimento de R$ 500 milhões, o Patteo Olinda teve mais de 1 mil trabalhadores atuando nas obras. Agora, o shopping impulsiona a economia local, com 5 mil empregos diretos. Lá, estão presentes 450 lojas, pontos de gastronomia, lazer e serviços, além de cinemas, academia e uma universidade. É o primeiro shopping de Olinda, cidade da Região Metropolitana do Recife. Com população de 391 mil habitantes é a terceira maior de Pernambuco.

Criado com base no tripé entretenimento, comércio e natureza, o Parkshopping Canoas absorveu investimento de R$ 750 milhões. Foram criados 2,5 mil empregos na obra e, agora, são mais de 3 mil em sua operação.

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'Prédio verde está na cartilha de desenvolvimento do setor', diz presidente da Fiabci

Dez obras eleitas pelo júri têm como marca a preservação ambiental e redução de custos no consumo de água e eletricidade

Heraldo Vaz / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h08

Itens de sustentabilidade embarcados nos empreendimentos e adoção de cuidados para preservar o meio ambiente caracterizam metade dos projetos laureados pelo Master Imobiliário. “A sustentabilidade já faz parte da cartilha do desenvolvimento do setor”, declara Rodrigo Luna, presidente da Fiabci Brasil.

A entidade, que faz parte da Federação Internacional das Imobiliárias (Fiabci), e o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) são os promotores do prêmio.

Luna aplaude a decisão da comissão julgadora que escolheu dez projetos desenvolvidos com a concepção dos chamados prédios verdes. Quatro deles com o selo Leed (Leadership in energy and environmental design), que confere liderança em design energético e ambiental, conforme certificação da Green Building Council (GBC) Brasil. “As empresas premiadas são exemplos para outras que ainda não entenderam a importância disso”, avalia Luna.

A consciência aponta para uso racional dos recursos naturais, economia de água e luz, menor geração de lixo nas construções e mais ações com produtos reaproveitáveis.

Para o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, sustentabilidade é um conceito que vem crescendo no Brasil e no mundo todo, valorizando obras que seguem essa linha.

Parceiro da Helbor no premiado Patteo Olinda Shopping, o Grupo CM vê a sustentabilidade como um dos pilares mais importantes para fazer um projeto. “Cada vez mais se pensa na redução do consumo de recursos naturais e no reaproveitamento de materiais”, diz José Luiz Muniz, diretor do grupo.

Nesta edição do Master, duas obras de retrofit também ganharam destaque, com os hotéis Palácio Tangará, em São Paulo, e 55/Rio, na Lapa carioca. “Ainda estamos engatinhando em retrofit”, diz Luna. Isso, segundo ele, tem a ver com legislações que travam a viabilidade econômica de modernizar um prédio.

“Precisa muito para melhorar a eficácia dessas leis”, reafirma, valorizando os dois cases premiados. “É bem importante, porque empresas estão vendo oportunidade na recuperação de antigos empreendimentos.”

No caso de habitações do segmento econômico, ele admite que “é curioso” não haver nenhum trabalho premiado. “Tivemos um ano bom para moradias de interesse social”, pondera.

O cenário atual da cidade de São Paulo, o maior mercado imobiliário do Brasil, foi analisado pelo presidente do Secovi, tendo como base os resultados de venda e lançamento. “Tivemos o primeiro semestre com indicadores positivos”, afirma. “Agora, vai depender do cenário político e de melhora do quadro econômico.”

No período de seis meses, foram vendidos 12 mil apartamentos na capital, 52% acima do registrado no primeiro semestre de 2017. Segundo o Secovi, foi o melhor resultado desde o início da crise, iniciada em 2013. Também se aproxima da média semestral de 12,4 mil unidades registrada de 2004 a 2018.

Os imóveis econômicos, com preço até R$ 240 mil, destacaram-se com 4,8 mil unidades e uma participação de 40% do total de comercialização.

No primeiro semestre, os lançamentos somaram 8,1 mil apartamentos, alta de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste caso, o volume está 24% abaixo da média histórica de 10,7 mil unidades, também no período de 2004 a 2018.

Os imóveis econômicos, porém, participaram com 35% do total no semestre e praticamente dobraram de volume. Foram lançadas 2,8 mil unidades contra 1,5 mil nos primeiros seis meses de 2017.

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