Lailson Santos/Divulgação/Cacau Show
Lailson Santos/Divulgação/Cacau Show

Arquitetura, design e bem-estar a favor da produtividade

Sem divisória, escritórios, áreas de convivência e descanso, com redes, ocupam ambiente único que ainda tem arquibancada e palco para show

Heraldo Vaz - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h14

Numa área de 55 mil metros quadrados, a Cacau Show investiu em arquitetura e design na composição de seu espaço corporativo. A nova sede, em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, tem 600 estações de trabalho, sem divisória, e 52 salas de reunião, além de megastore, minifábrica de chocolates, auditório com arquibancadas de madeira, espaços de convivência e descanso com redes e palco para shows. Batizado de Complexo Intensidade, foi inaugurado em novembro de 2017.

Do total de R$ 130 milhões de investimento, R$ 30 milhões foram destinados aos dois blocos com 9 mil m² de áreas projetadas por Athié Wohnrath. Sócio fundador do escritório, Sérgio Athié, argumenta que arquitetura e projeto de interiores contribuem para melhorar a produtividade das equipes.

"São ferramentas poderosas para criar sinergia, senso de pertencimento e conexão com a empresa", afirma, apontando a distribuição de espaços com áreas de colaboração e convivência. "O conjunto traz a sensação de bem-estar." Athié destaca o porte e a qualidade espacial da obra. "Transformamos um galpão industrial em ambiente acolhedor, que reflete a marca, potencializando sua conexão com colaboradores."

O conceito do projeto foi baseado na colheita e produção do cacau. Segue estilo fabril, com laje no piso, e adota as cores do fruto, em tons vermelho, verde e laranja. Os mezaninos, com sustentação de aço, combinam com o perfil rústico. "Na entrada, criamos uma estufa, que o pessoal da empresa chama de 'estrufa' por seu formato e por ser um dos principais produtos da marca", explica Athié.

Nessa estufa, em formato de trufa, com 14 metros de altura, há cacaueiros e são cultivadas plantas da Amazônia.

"A estufa e a megastore são os principais elementos de marketing", diz. "O painel do artista Eduardo Kobra na fachada do centro de distribuição também é relevante para a marca."

O mural grafitado do Kobra, reconhecido pelo Guinness como o maior do mundo, "deu pontapé inicial ao que poderíamos fazer no complexo", declara o fundador e presidente da Cacau Show, Alexandre Costa, que batizou a sede de Complexo Intensidade.

A obra criou “excepcional ambiente de trabalho, além de expor o talento arquitetônico da equipe de projetistas”, de acordo com o júri, que premiou o empreendimento. "É um marco nos ambientes corporativos e referência na utilização de arquitetura e design como ferramentas de marketing da marca."

Costa fala da sua inspiração no Vale do Silício, na Califórnia, onde startups ditam tendência. "Por conta da liberdade, da proximidade e, acima de tudo, pelo ambiente empreendedor, onde as pessoas podem conversar, fazer testes e se integrar", afirma.

O desejo de unificar equipes e aproximar áreas administrativas foi um dos fatores para a empresa optar por nova sede. Em 2016, houve a aquisição do terreno no km 35 da Rodovia Castelo Branco, em Itapevi (SP). Alexandre Costa já vê maior nível de integração, com aumento de produtividade e criatividade. 

No bloco 1, estão 600 estações de trabalho, em seis núcleos, com impressoras, mesas e armários. Além da recepção e salas de reunião, há áreas de integração. O "coffice" é um ponto citado por Costa. "Ali, servimos o café da manhã, bolos e frutas, e todos da empresa podem se encontrar e realizar pequenas reuniões."

O bloco 2 tem o refeitório para 420 pessoas, cozinha e despensa com paredes de vidros. A universidade do cacau e a biblioteca servem para atualização e aprendizado. No mezanino, há salas de reunião e cozinha gourmet. Também existem locais para descompressão e introspecção. Espaço ecumênico, dedicado à religiosidade e reflexão. Espaço zen, para relaxamento com redes de balanço. Espaço fit, com equipamentos para exercícios e musculação.

O espaço rock, com capacidade para 200 pessoas, é para confraternizações, com mesa de bilhar, palco, instrumentos musicais e bar. "Essa convivência é importante, pois passamos a maior parte dos dias trabalhando", declara Costa. "Queremos oferecer um lugar incrível para as pessoas se orgulharem."

Para ele, isso ajuda o engajamento. "Prova disso é que, após a inauguração, fomos contemplados com o selo GPTW", diz, referindo-se à certificação de Great Place to Work (melhores empresas para trabalhar).

Desde 2014, quando ocorreu a primeira pesquisa de clima, a empresa registrou aumento de 22 pontos, alcançando o "índice de confiança" com 70% de favorabilidade. "Entramos na zona de pontuação do GPTW", exulta. "Estou ansioso para a próxima avaliação."

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Construtora investe na gestão de RH e promove ações

Aproximar-se dos seus mais de 350 funcionários foi a solução encontrada pela MPD Engenharia para lidar com o desafio de gestão de pessoas no seu negócio, que lida com disparidades enormes na mão de obra. A empresa criou há três anos o projeto Nossa Gente para conhecer melhor os seus colaboradores e, desde então, vem aproveitando o conhecimento para orientar suas ações de RH. Surgiram treinamentos, ações colaborativas e até alguns mimos que, neste ano, foram reconhecidos pelo Master Imobiliário na categoria "Gestão de Recursos Humanos".</p>

Gustavo Coltri - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h14

"Pegamos um grande mapa do Brasil e fomos a todas as obras perguntando de onde as pessoas eram. E colocamos uma bolinha para marcar as cidades de origem. Perguntamos por que elas vieram para cá, quais foram os seus desafios, seus sonhos. E as pessoas se sentiram felizes em poder contar a sua história", diz a diretora de recursos humanos, Lúcia Meili.

Os depoimentos sensibilizaram a comunidade da MPD, segundo ela, e inspiraram medidas da empresa – um colaborador cujo filho é cadeirante ganhou adaptações no banheiro de casa, por exemplo. E o Nossa Gente incentivou também a solidariedade entre os funcionários. 

Um curso de inclusão digital foi criado por iniciativa de um colaborador da área de TI, que atuou como professor voluntário. A oficina permitiu que a auxiliar de serviços gerais Izabel Honorato da Silva, de 57 anos, descobrisse a internet. Ela diz que não sabia "nem ligar o computador" quando iniciou a formação, há seis meses. E, hoje, até visita sites para pesquisar preços de passagens para Pernambuco, onde nasceu. "Eu brinco que o computador é fuxiqueiro. Ele até conserta quando a gente escreve uma palavra errada", diz.

A MPD também planeja ações de qualificação na sua política. Segundo Lúcia, a empresa arca com os custos das atividades profissionalizantes para futuros mestres de obra como complementação ao conhecimento adquirido por eles nas obras. Além disso, a companhia promove viagens para que as equipes de áreas estratégicas possam buscar referências.

A gerente de marketing e relacionamento com clientes da MPD, Vivian Wertheimer, fez parte de uma comitiva que viajou para Miami em abril. O grupo – formado ainda pela diretora de incorporação, Débora Bertini, a gerente de produto e implantações, Carla Matos, e a gerente de projetos executivos, Ingrid Ribeiro – visitou 19 obras em oito dias nos Estados Unidos. "A viagem foi importante para trazer para cá tendências de moradia e até referências de arquitetura. Outro ponto forte foi avaliar a atuação das equipe de vendas, que são muito preparadas", diz Vivian.

Entre os produtos que viu mais de perto, a gerente de marketing destaca as moradias compartilhadas (coliving), além de imóveis voltados para estudantes e idosos. "Existe uma troca de experiências nas viagens e algumas informações que você só conhece no local", diz. 

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