Pedro Vannuchi / Instituto Moreira Salles / Divulgação
Pedro Vannuchi / Instituto Moreira Salles / Divulgação

Arquitetura e construção destacam IMS

Obras do complexo cultural na Avenida Paulista receberam materiais e sistemas desenvolvidos sob medida pelos fabricantes para o projeto

Gustavo Coltri - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h04

Uma abertura bem no meio da fachada do prédio do Instituto Moreira Salles (IMS) em São Paulo descortina a Avenida Paulista para quem visita o complexo cultural desde a inauguração, no segundo semestre do ano passado. Se a visão já impressiona, a fenda é também uma marca da logística sofisticada envolvida na construção do edifício, que se destaca por aliar estruturas museológicas a uma arquitetura peculiar em um endereço restritivamente nobre. Fatores que deram à construtora All'e Engenharia o prêmio de construção de complexo cultural no Master Imobiliário.

O projeto arquitetônico do empreendimento, idealizado pelo escritório Andrade & Morettin Arquitetos e executado pela All'e, previu dois grandes blocos para instalar todas as salas de exposição e as demais dependências do instituto. Há também um vão livre no quinto andar, onde hoje funcionam uma praça com uma loja e um café. As especificações técnicas levaram a construtora a adotar um sistema estrutural misto para a obra, aliando concreto aparente e perfis metálicos. Ficaram instalados no corpo de concreto apenas elevadores e escadas.

A falta de espaço e a localização do canteiro foram um desafio para a armazenagem e para a montagem dos perfis metálicos, produzidos em fábrica. A obra teve também de lidar com aprovações do Metrô e da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), porque a execução ocorreu ao lado da estação Consolação da linha 2-Verde e com acesso à Avenida Paulista.

De acordo com o sócio-diretor da All'e, Alberto Du Plessis, a construção foi acompanhada pela empresa de gerenciamento de projetos Canal & Mussi para garantir um planejamento sem erros. As entregas de materiais foram feitas "just-in-time", paulatinamente, e os perfis metálicos chegaram ao canteiro em porções pequenas, capazes de serem transportadas por caminhões à noite, respeitando os limites da lei do silêncio. "Fazíamos reunião toda semana com as empresas envolvidas na obra. E íamos reavaliando o planejamento."

O projeto arquitetônico demandou outros cuidados. Ele previa, por exemplo, que o core de concreto e algumas das vigas estruturais de metal ficassem à mostra nas áreas internas. Para ter um bom acabamento, a construtora fez a concretagem das paredes com cuidado redobrado para não deixar falhas – as chamadas bicheiras. Foram inclusive usadas placas de madeira compensada novas a cada ciclo para que as paredes ficassem com um aspecto suave ao toque. Somava-se a isso o fato de que os andares tinham pés-direitos diferentes.

Os produtos de acabamento foram um capítulo à parte durante a construção."Não são acabamentos industriais que se compra facilmente. Muitos foram manufaturados especificamente para lá", conta Du Plessis. A estrutura da fachada, por exemplo, foi planejada por uma consultoria norte-americana e os perfis e o vidro foram produzidos na Alemanha e na Bélgica. "Depois de detalhar a especificação, chamamos os fornecedores, e eles fizeram um protótipo. Só depois avançamos."

Os testes foram comuns durante a obra porque, além da fachada, foram desenvolvidos especialmente para o instituto um forro furado em madeira resistente a incêndios, um forro em malha de aço, portas corta-fogo, caixas de hidrantes, estantes da biblioteca e até abafadores de som para as paredes do teatro do instituto. "O conjunto das interface foi o mais desafiador. Como eram soluções escolhidas pioneiramente para o prédio, o encontro dos materiais com a estrutura precisava ser muito bem avaliado." As revisões de cronograma estenderam a obra por um semestre, segundo o sócio-diretor da All'e.

Museu. As características museológicas do IMS dão peculiaridades extras. Nas três lajes superiores, onde ocorrem exposições, os pisos foram projetados para suportar cargas de até 1 tonelada por metro quadrado. As luminárias desses espaços foram desenvolvidas em claraboias especiais, com telas tensionadas, para proporcionar diferentes cenários de luz aos expositores. Toda a iluminação cênica, aliás, é controlada pelo sistema de automação do prédio. 

"O Master Imobiliário é uma premiação lisonjeira, porque poucas empresas conquistam. É preciso ter algo especial para isso", diz Du Plessis.

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Obra sustentável une Consolação e Angélica e movimenta o local

Com 10 pavimentos e uma laje de cobertura para eventos, edifício recebe polo de inovação tecnológica

Pedro Rubens Santos - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h04

As calçadas da Avenida Angélica e da Rua da Consolação têm um novo polo de inovação tecnológica. O empreendimento de mais de R$ 100 milhões que pretende revitalizar uma das mais movimentadas regiões da capital paulista apresenta grafites do artista Kobra, passagem para pedestres entre as duas vias, comércio aberto ao público, certificação ambiental. No Master Imobiliário 2018, o Habitat levou o prêmio de empreendimento comercial.

A poucos minutos da Avenida Paulista e em frente à estação do metrô, o prédio da BSP Empreendimentos Imobiliário completa neste mês de agosto um ano desde sua inauguração e já se destaca na paisagem. No alto do edifício, uma área para eventos abriga o contraste entre uma das obras de Kobra e a vista que alcança o Pico do Jaraguá. 

A área disponível para locação está tomada pela WeWork, empresa internacional de coworking, que alugou 100% do espaço corporativo do local seis meses antes da emissão do Habite-se – certidão que permite a ocupação do imóvel.

"No momento da economia e do mercado imobiliário – em meados do ano passado – de recuperação e alerta, não imaginávamos a pré-locação feita no início, imaginávamos que seria alugado ao longo do tempo", conta Daniel Tencer, superintendente executivo da BSP Empreendimentos Imobiliários. "Quando concebemos o empreendimento, em 2012, o coworking não era um uso tão em evidência."

A grande inovação que o edifício traz para a área é o corredor que liga a Rua da Consolação à Avenida Angélica. Qualquer transeunte pode passar por esse boulevard, onde há estabelecimentos comerciais, como uma farmácia e um café, com livre acesso para o público.

O Habitat ocupa 21.800 m², dos quais 11 mil m² compõem a área locável, e também se destaca pela certificação ambiental Leed (leadership in energy and environmental design) nível Gold. O selo, criado pela ONG norte-americana U.S. Green Building Council, atesta práticas sustentáveis de edificações pelo mundo.

O Habitat obteve a categoria Leed for Core and Shell, que corresponde às áreas comuns e envoltória. Economia de energia e uso sustentável de água foram aspectos importantes para a obtenção do selo. O edifício tem sistemas que, além de economizar recursos, possibilitam a recarga de veículos elétricos. 

Ivan Gontijo, diretor-geral do Grupo Bradesco Seguros e da BSP, comenta a relevância do Habitat. "É uma honra obter o Master Imobiliário. É o reconhecimento de um projeto bem-sucedido, integralmente pré-locado, que sedia um importante polo de inovação tecnológica na cidade de São Paulo."

Levar tais inovações para a região é considerado um processo de revitalização da região. "Compramos algumas áreas vizinhas para ampliar o terreno e ,de alguma forma, ajudar na revitalização", afirma Tencer. "É um dos prédios que ajudam a requalificar especialmente a Rua da Consolação."

A passagem, segundo ele, contribui para trazer vida com o fluxo. "É uma construção nova, assim como algumas construções que estão ocorrendo ao longo da Consolação e da Angélica", diz Tencer.

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