Luís Esteves /Stan / Divulgação
Luís Esteves /Stan / Divulgação

Consórcio ergue prédio sobre o túnel do metrô

Para júri da premiação, empresas adotaram técnica ‘corajosa e de difícil execução’

Heraldo Vaz / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h06

Um bloco maciço de 400 metros quadrados de área, com mais de 1 mil metros cúbicos de concreto e 180 toneladas de aço, é o resumo da obra que deu ao edifício comercial Evaristo Comolatti o prêmio de soluções tecnológicas do Master Imobiliário. O empreendimento da Stan Incorporadora e RFM Construtora tem 11 pavimentos, de 933 m² em cada laje, com quatro subsolos. Foi erguido em terreno de 3,2 mil m², na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação.

Segundo o júri da premiação, “o grande desafio foi construir o prédio sobre três túneis técnicos do metrô”, que cruzam o terreno a 20 metros abaixo do nível do solo. A fundação ficou a 60 metros de profundidade, para alcançar a camada geológica capaz de sustentar a torre.

A 70 centímetros de distância dos túneis, foram espetadas 36 estacas – com 68 metros de comprimento por 2 de diâmetro – que suportam o enorme bloco de concreto, a base de sustentação do edifício. “É uma solução técnica corajosa e de difícil execução”, diz o voto da comissão julgadora.

Na opinião de André Neuding Filho, sócio diretor da Stan, a fase mais importante da obra foi a concretagem do bloco de coroamento, em cima das estacas, que utilizou mais aço do que a torre inteira.

Para redução do impacto no ambiente, o empreendimento tem itens de sustentabilidade como redução da ilha de calor com telhado verde, reúso de água, dispositivos de economia em metais e louças, ar condicionado com alta eficiência energética. Conta também com roda entálpica, um dispositivo que reaproveita energia térmica do ar de exaustão, gerando economia no sistema de climatização.

Está preparada para o selo Leed (leadership in energy and environmental design), certificação que confere liderança em design energético e ambiental, criada pela Green Building Council (GBC). “Não existe futuro no setor se não adotarmos sistemas construtivos sustentáveis”, diz Marcio Botana Moraes, diretor da RFM. Para ele,o selo Leed garante ao comprador e usuário o uso racional de fontes naturais, gerando economia operacional durante a vida útil da construção.

Mercado. A Stan deu entrada no projeto em 2014 quando o preço médio de aluguel na Paulista era de R$ 117/m². O valor caiu 30%, para R$ 82/m² em 2016, enquanto as taxas de vacância dobraram – de 12% para 25,2% – no mesmo período.

Neuding vê perspectiva de retomada. “Existe migração de empresas para prédios novos”, diz. “Se bem localizados, têm forte tendência de valorização. Segundo ele, a locação hoje está entre R$ 105 e R$ 120 por m².

Na visão da RFM, a Paulista iniciou recuperação antes dos eixos da Faria Lima e Berrini. “O Evaristo Commolatti foi totalmente locado para WeWork”, afirma Moraes, referindo-se à empresa de coworking.

“A Paulista se rejuvenesce, tornando-se exemplo no uso de áreas públicas”, acrescenta, ao enfatizar a importância da avenida como eixo cultural.

Paulista: Infraestrutura total e síntese do urbanismo

A Avenida Paulista representa um centro urbano de excelência, com moradia, escritórios, parque e espaços de lazer, restaurantes, ciclovias, metrô e ônibus, além de ampla oferta de serviços.

Inaugurada em 1891, a Paulista foi projetada para abrigar casarões e palacetes da elite de São Paulo. Adotou o estilo de grandes avenidas da Europa: plana e com várias faixas para bondes e carruagens. Em 1909, tornou-se a primeira via asfaltada da capital. A década de 1950 traz o início da verticalização. Nos anos 70, se consolida como o principal centro financeiro do País.

Sua história é síntese da transformação urbana. Com as calçadas largas, é ponto de encontro de muitas culturas. Tem localização central e infraestrutura total de transportes públicos, tornando a região atrativa para empresas. Para a incorporadora Stan, é a região mais viva da cidade. Palco de manifestações políticas e culturais, vira calçadão aos domingos. Ao lado do Masp, Casa das Rosas e Conjunto Nacional, surgiram centros culturais, como o Instituto Moreira Salles, Japan House e Sesc Paulista, que reforçam a vocação polivalente da avenida mais famosa da capital.

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